AFP PHOTO / GALI TIBBON
AFP PHOTO / GALI TIBBON

Premiê francês candidata-se às primárias socialistas

Manuel Valls deixa chefia de governo e anuncia que concorrerá à presidência da França

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2016 | 12h12

O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, anunciou na noite desta segunda-feira sua demissão do cargo e o lançamento de sua pré-candidatura à presidência do país. A iniciativa acelera a campanha das prévias do Partido Socialista (PS), que ocorrerão entre 22 e 29 de janeiro, para decidir quem será o candidato do maior partido de esquerda nas eleições de abril e maio. Seu principal adversário será seu ex-ministro da Economia, Arnaud Montebourg, representante da ala mais à esquerda do partido.

O anúncio da demissão foi feito horas após uma última reunião com o atual presidente, François Hollande, no Palácio do Eliseu. A saída de Valls já era esperada desde a sexta-feira, quando o chefe de Estado informou que não concorreria à reeleição – uma decisão inédita desde 1958, quando a França entrou na 5.ª República.

Valls convocou então a imprensa para um pronunciamento que realizaria na prefeitura de Evry, na região metropolitana de Paris, onde iniciou sua carreira política. Acompanhado da mulher e de militantes do PS, o premiê abriu seu pronunciamento de 20 minutos pelo anúncio: "Sou candidato à presidência da República". A declaração teve um caráter ambíguo, pois em nenhum momento o socialista se referiu às eleições prévias do PS, nas quais terá de enfrentar pelo menos outros sete candidatos, dentre eles dois de seus ex-ministros: Montebourg e o ex-ministro da Educação Benoit Hamon.

"Tenho essa força em mim, essa vontade de servir a meu país. É algo que vai além de palavras, é uma convicção total", argumentou o premiê, que agradeceu Hollande pela oportunidade de representar o partido. "Não posso mais ser primeiro-ministro sendo candidato. Em acordo com o presidente, deixo minhas funções de primeiro-ministro desde amanhã", confirmou, a seguir. "Quero uma França independente, inflexível sobre seus valores, frente à China de Xi Jinping, à Rússia de Vladimir Putin, aos Estados Unidos de Donald Trump, à Turquia de Erdogan", afirmou, lançando as bases de sua proposta de governo. 

Em contraste ao forte liberalismo do candidato do partido Republicanos (LR, direita), o também ex-primeiro-ministro François Fillon, Valls se colocou como o defensor do do Estado de bem-estar social, sem para tanto abrir mão da perspectiva de reformas.

Enquanto o premiê prepara sua campanha, François Hollande deve anunciar nessa terça-feira sua última reforma ministerial. Um dos favoritos para chefiar o governo é o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, que esteve à frente dos trabalhos de investigação e de segurança quando dos atentados terroristas de 2015 e 2016. Mas o nome da ministra da Saúde e de Assuntos Sociais, Marisol Touraine, também vem sendo cogitado. Ela seria a primeira mulher a exercer o cargo de premiê na França.

Mais conteúdo sobre:
França Manuel Valls

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.