Premiê ganha com imagem de honesto

Arseni Yatseniuk se diferencia de outros políticos por não ostentar e viajar só na classe econômica

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2014 | 02h05

Quando o novo primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, convidou ativistas anticorrupção para seu apartamento em Kiev, no mês passado, a primeira coisa que ele mostrou foi seu banheiro. "Vejam por si mesmos", brincou Yatseniuk. "Não é de ouro." Foi um tapa na cara do presidente deposto Viktor Yanukovich, que, junto com parasitas do seu governo, tinha uma notória propensão para a ostentação cafona.

O governo interino de Yatseniuk procura conduzir reformas radicais para romper com uma cultura de defesa do interesse pessoal, cinismo e corrupção que deixou a Ucrânia à beira da falência. As imagens de candelabros, colunas douradas e pisos de mármore ornamentados que surgiram da mansão de Yanukovich, depois que ele fugiu, causaram repulsa em todo o país.

Ao contrário do ex-presidente, Yatseniuk voa na classe econômica, convida as pessoas que denunciam escândalos de corrupção para a sua casa e realmente admite os erros que cometeu. Essas qualidades o ajudaram a crescer em estatura política e ganhar apoio para seu governo - num momento em que a Ucrânia luta para evitar uma possível divisão.

Yatseniuk lidera uma equipe heterogênea de jovens profissionais pró-Ocidente, idealistas, nacionalistas e heróis dos protestos na Praça Maidan (da Independência), além de veteranos da política ucraniana. Quando o grupo eclético assumiu o poder, em fevereiro, ele sabia que teria um desafio terrível pela frente: os cofres do Estado estavam vazios, o país estava profundamente polarizado e o movimento de protesto não estava disposto a dar trégua ao governo.

Depois, as coisas pioraram dramaticamente: a Ucrânia perdeu a Crimeia para a Rússia e o governo viu-se às voltas com insurgentes pró-Kremlin, enquanto tentava evitar uma guerra com seu gigante vizinho do leste. "Ninguém percebeu completamente o bônus que estaríamos recebendo com a anexação de Crimeia e os movimentos separatistas", disse à Associated Press Ostap Smerak, que tem o título de "ministro do Gabinete de Ministros" e é um aliado íntimo de Yatseniuk.

O caminho foi trilhado com sucessos e insucessos. No entanto, durante a difícil jornada, Yatseniuk, que transmite um ar de intelectual excêntrico, ganhou respeito, provando ser firme diante de tarefas quixotescas, pronto para sacrificar interesses pessoais pelo bem do país.

Yatseniuk, frequentemente, se refere a seu novo emprego como uma missão suicida. Quando foi elogiado, recentemente, pelo seu desempenho no cargo, ele brincou dizendo que condolências seriam mais apropriadas.

Enquanto o país se prepara para a eleição do dia 25, quando será escolhido um novo líder, todos os olhares se voltam para o governo interino e sua capacidade de garantir que a votação seja um sucesso.

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.