Premiê grego e oposição fazem acordo para novo governo

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, e o líder do principal partido de oposição do país, Antonis Samaras, chegaram a um acordo neste domingo para a formação de um governo de coalizão, num esforço para resolver a crise política que colocou em risco o mais recente pacote de ajuda ao país e que levantou dúvidas sobre o futuro da zona do euro.

ANGELO IKEDA, Agência Estado

06 de novembro de 2011 | 19h57

"Durante a reunião, os dois líderes concordaram em formar um novo governo, que terá como objetivo levar o país à realização de eleições após a implementação das decisões tomadas pelo Conselho Europeu em 26 de outubro", disse o presidente grego, Karolos Papoulias, em um comunicado.

O encontro entre Papandreou e Samaras, líder do partido Nova Democracia, foi intermediado por Papoulias. Mais cedo, após se reunir com Papoulias, Samaras havia declarado que ajudaria na formação de um governo interino desde que Papandreou renunciasse.

Como parte do acordo, Papandreou não será o chefe de governo, diz o comunicado, acrescentando que ele e Samaras se reunirão amanhã para escolher o novo primeiro-ministro. O presidente também disse em seu comunicado que nesta segunda-feira convocará uma reunião com todos os líderes de partidos políticos do país para angariar apoio para o governo. O gabinete grego havia realizado uma reunião de emergência neste domingo, após uma semana conturbada que culminou na votação de uma moção de confiança no sábado.

Papandreou sobreviveu à votação, mas anunciou ao seu gabinete que renunciaria. Em comentários a seu gabinete, Papandreou disse que o novo governo deve afirmar seu compromisso com as condições estabelecidas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a liberação de pacotes de ajuda ao país. O Ministério das Finanças da Grécia, por sua vez, anunciou que deve enviar ao parlamento sua proposta de orçamento para 2012 até o dia 20 de novembro. O anúncio coloca em evidência o prazo apertado que o novo governo terá para aprovar a proposta e garantir um novo pacote de resgate financeiro.

Em um comunicado entregue a ministros, o Ministério delineou as medidas necessárias para que a Grécia cumpra as condições estabelecidas no mais recente pacote de ajuda ao país, de 130 bilhões de euros. O novo acordo de empréstimo precisa ser aprovado pelo parlamento por três quintos dos votos, diz a nota, acrescentando que ministros de Finanças da União Europeia devem tomar uma decisão final no dia 8 de novembro sobre a liberação da próxima tranche de um empréstimo anterior. Sem esses recursos, O dinheiro da Grécia deve acabar até 15 de dezembro.

De acordo com o cronograma, a Grécia também precisa fechar um acordo com bancos privados para um haircut, ou desconto de 50% sobre o valor dos bônus gregos. Para isso, precisa de um desembolso de 30 bilhões de euros para a recapitalização de bancos até o começo de janeiro. Além disso, um pagamento adicional de 30 bilhões de euros é necessário para que o acordo de haircut seja implementado. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
GréciacriseUE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.