Premiê grego promete reduzir impostos para empresas

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, prometeu neste sábado reduzir os impostos para empresas a fim de ajudar a impulsionar a economia do país, enquanto milhares de pessoas protestavam nas ruas pacificamente, na sua maioria, contra as duras medidas de austeridade do governo.

AE-AP, Agência Estado

11 de setembro de 2010 | 18h38

A Grécia conseguiu evitar sua falência em maio, depois que países europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovaram a concessão de um empréstimo de emergência de ? 110 bilhões (US$ 140 bilhões) até 2012 ao país. O dinheiro foi concedido sob a condição de que o governo grego promovesse cortes profundos de gastos - movimento que provocou a fúria dos sindicatos do país.

Papandreou disse que o imposto sobre os lucros das companhias será reduzido de 24% para 20% no ano que vem, fornecendo, segundo ele, "um forte incentivo para os investimentos e a competitividade". O primeiro-ministro também prometeu flexibilizar algumas profissões, desregulamentar o mercado de energia, estipular metas de privatização, facilitar os principais investimentos e simplificar a emissão de licenças para abertura de empresas até o final deste ano.

Cerca de 20.000 pessoas se reuniram em três manifestações separadas na cidade portuária de Tessalônica antes do discurso de Papandreou. Elas foram acompanhadas por cerca de 4.500 policiais.

Confrontos menores eclodiram quando dezenas de jovens atacaram policiais com paus e foram rechaçados com bombas de gás lacrimogêneo. Nenhuma prisão ou feridos foram imediatamente notificados.

A polícia grega deteve preventivamente 20 pessoas, incluindo 13 provenientes da Espanha, Itália, Grã-Bretanha e Portugal.

Protestos anteriores se tornaram violentos e, em maio, três pessoas morreram em um banco incendiado por jovens encapuzados que se infiltraram em uma grande manifestação em Atenas - numa ação que chocou os gregos e desencadeou o movimento de protesto neste sábado.

Na manhã de hoje, um homem idoso atirou um sapato contra Papandreou, que tinha acabado de inaugurar uma feira comercial anual. O calçado aterrissou longe do alvo e o atirador foi detido, para horas mais tarde ser liberado, depois que o primeiro-ministro se recusou a registrar queixa.

Papandreou se comprometeu a reprimir a sonegação fiscal, mas ao mesmo tempo disse que vai oferecer às empresas a oportunidade de resolverem disputas fiscais com o Estado fora dos tribunais e acelerar os processos judiciais.

Há cerca de 400 mil processos pendentes em tribunais gregos, dos quais 150 mil estão ligados a litígios fiscais.

As autoridades gregas insistem que, juntamente com a dor, a pior crise econômica enfrentada pelo país no pós-guerra vai permitir reformas essenciais do inchado e ineficiente setor público e incentivar um modelo de desenvolvimento mais saudável.

"Nós podemos mudar o curso da história e criar uma oportunidade para sairmos da crise", declarou Papandreou, acrescentando que a Grécia buscará investimentos de cerca de ? 44 bilhões (US$ 56 bilhões) por meio de projetos ecologicamente corretos até 2015.

"Nossa escolha de migrar de uma economia conduzida durante anos pelo consumo e pelo crédito para um modelo produtivo, baseado no desenvolvimento verde, é de importância estratégica", destacou o primeiro ministro.

Inspetores da União Europeia e do FMI avaliarão na próxima semana o progresso das medidas de austeridade exigidas pelo pacote de ajuda, bem como os esforços do governo grego para reduzir seu déficit orçamentário.

A Grécia deverá receber ? 9 bilhões (US$ 11,45 bilhões) nos próximos dias dentro da segunda parcela dos empréstimos previstos. As informações são da Associated Press.

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