Premiê indiano acusa terroristas estrangeiros por atentados

Singh afirma que ataques coordenados possuem ligações externas; 200 pessoas estariam presas em hotel

Agências internacionais,

27 de novembro de 2008 | 09h54

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, disse nesta quinta-feira, 27, que os ataques coordenados em Mumbai, que já mataram 104 pessoas e feriram mais de 300, foram bem planejados e provavelmente possuem "ligações externas". "Falaremos com nossos vizinhos do uso que os terroristas fazem de seu território para lançar ataques como este", disse Singh, em comparecimento televisionado à nação.   Polícia liberta reféns de um dos hotéis na Índia Assista ao vídeo com cenas dos ataques  Não há vítimas brasileiras em ataques na Índia, diz Consulado Ligação da Al-Qaeda com ataques na Índia é improvável   "Os bem planejados e orquestrados ataques, provavelmente com ligações externas, têm a intenção de criar o senso de terror ao escolher alvos com destaque", afirmou. Nesta quinta, militares indianos libertaram alguns reféns no hotel Taj Mahal, em Mumbai, mas continua havendo tiroteios contra militantes islâmicos que iniciaram na véspera um audacioso ataque no centro financeiro do país. Os homens chegaram de barco, na quarta-feira, e se espalharam para atacar dois hotéis cinco-estrelas, um restaurante famoso, hospitais e uma estação de trem. De acordo com a polícia, eles usaram armas automáticas e dispararam indiscriminadamente.   Testemunhas dizem que viram civis deixando o hotel às pressas, correndo, e alguns levavam malas. Também foram vistas ambulâncias chegando ao local. Segundo a BBC, mais cedo foram vistas unidades das forças de segurança entrando nos hotéis, mas há poucos detalhes sobre as operações. O chefe da polícia, AN Roy, disse que as autoridades estão realizando operações cuidadosamente para evitar a morte de pessoas inocentes.   Cerca de 200 pessoas ainda são reféns no luxuoso hotel Trident, em Mumbai, nesta quinta-feira, segundo um alto funcionário da empresa responsável pelo estabelecimento. Militantes armados realizaram uma série de ataques na cidade indiana, deixando pelo menos 101 mortos. "Nós acreditamos que haja ainda 200 pessoas presas" no hotel Trident, no sul da cidade, afirmou à emissora NDTV S.S. Mukherji, vice-diretor do Grupo Oberoi de hotéis, que controla o Trident. O local foi cercado na noite de quarta-feira por agressores que segundo testemunhas tinham como alvos estrangeiros. O pouco conhecido grupo extremista islâmico Deccan Mujaheddin assumiu a autoria da série de ataques.   Mukherji disse que havia 380 hóspedes no hotel, no momento da invasão. Era possível ainda escutar tiros sendo disparados. "Nós estamos nos estágios finais das operações", afirmou o chefe policial do Estado de Maharashtra, A.N. Roy. "Estamos confiantes de que conseguiremos conter os terroristas". Roy não disse qual era a estimativa sobre o número de agressores ainda no hotel. Segundo Roy, não havia mais reféns no hotel Taj Mahal, mas "ainda alguns" no Trident.   "Restringiremos a entrada de pessoas suspeitas no país", disse Singh durante seu discurso, condenando os atentados e expressando suas condolências às famílias das vítimas. O primeiro-ministro elogiou a "coragem" da Polícia e pouco depois prometeu reformar as forças de segurança, com a criação de uma Agência Federal de Investigação, uma proposta que ganhou força durante os últimos meses."Os executores e os que apóiam o terrorismo pagarão o preço de suas ações, independente de sua religião", disse Singh, que pediu aos cidadãos que mantenham a paz e a harmonia nesta "hora de crise".   Os ataques coincidiram com a realização, prevista para esta quinta, de uma nova rodada de diálogo entre a Índia e o Paquistão. O ministro de Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, tinha chegado na quarta à Índia para se reunir com o ministro indiano da mesma pasta, Pranab Mukherjee, mas, no fim, o encontro foi suspenso.   A agência indiana PTI citou uma fonte "crível", que disse que os terroristas são paquistaneses, mas o Paquistão foi rápido em condenar os atentados. Antes da condenação de Singh, a dirigente do governamental Partido do Congresso, Sonia Gandhi, havia mostrado sua repulsa aos ataques e os qualificou como um "desafio para a nação", segundo a agência PTI.   Um porta-voz da Marinha indiana afirmou que as forças do país estavam ocupando um navio, suspeito de ser relações com os ataques. A embarcação, identificada como MV Alpha, passou recentemente por Mumbai, vinda de Karachi, no Paquistão, segundo o funcionário, capitão Manohar Nambiar. A fonte indicou que haveria uma revista no navio.   Exigências   Um dos homens armados no hotel, que se identificou apenas como Sahadullah, exigiu a libertação de companheiros detidos em prisões indianas. "Libertem todos os mujahideen (militantes islâmicos), e os muçulmanos que vivem na Índia não devem ser incomodados", disse um militante de dentro do Oberoi, por telefone, a uma TV local.   Os agressores pareciam buscar especialmente britânicos e norte-americanos para serem tomados como reféns. Israelenses também foram capturados, segundo uma TV, enquanto a polícia informou que um rabino israelense estava sendo mantido como refém num apartamento de Mumbai. Testemunhas disseram que os agressores eram jovens na faixa dos 20 anos, com aspecto o sul da Ásia - provavelmente indianos, falando os idiomas hindi ou urdu. As TVs mostraram homens armados disparando rifles contra os transeuntes ao passarem sobre uma picape por uma rua de Mumbai.

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