Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
VALERIE BAERISWYL / AFP
VALERIE BAERISWYL / AFP

Premiê indicado por Moïse toma posse hoje no Haiti, após renúncia de interino

Claude Joseph, que havia assumido o comando do país após o assassinato do presidente, concordou em entregar o cargo a Ariel Henry depois de a comunidade internacional demonstrar que não o apoiava

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2021 | 05h00

PORTO PRÍNCIPE - O Haiti terá hoje um novo governo liderado por Ariel Henry como primeiro-ministro – a quem o presidente Jovenel Moïse havia nomeado dois dias antes de ser assassinado –, após o premiê interino, Claude Joseph, concordar em deixar o poder, “pelo bem do país”. 

O acordo encerra uma luta pelo poder entre os dois homens, que vinham disputando apoio internacional e interno a suas reivindicações pelo cargo, e neutraliza uma turbulenta crise política no país caribenho desde o assassinato do presidente, no dia 7.

Joseph afirmava que Henry, um neurocirurgião de 71 anos, ainda não havia sido juramentado para o cargo e não tinha o direito de ser o líder interino. Logo após o assassinato de Moïse, Joseph declarou que estava no comando do país e decretou estado de emergência. 

A disputa pelo poder provocou uma crise política que deixou especialistas constitucionais confusos e diplomatas preocupados com um amplo colapso social que poderia desencadear a violência ou levar os haitianos a fugir em massa do país, como fizeram após desastres naturais, golpes ou outros períodos de profunda instabilidade.

“Há vários dias, Claude Joseph e Ariel Henry participam de uma série de reuniões de trabalho que levarão à formação de um governo inclusivo com Henry como primeiro-ministro”, disse uma fonte à AFP, acrescentando que Joseph retomará seu cargo de ministro das Relações Exteriores.

A decisão de Joseph foi tomada em meio a pressão de países estrangeiros, entre eles os Estados Unidos, que há muito tempo exercem enorme influência no país. No fim de semana, a reivindicação de Henry recebeu o apoio de embaixadores de Brasil, EUA, Alemanha, Canadá, Espanha, França, União Europeia, assim como da representante especial da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da representante especial do secretário-geral da ONU. Em um comunicado, o grupo pediu no sábado “a formação de um governo consensual e inclusivo”.

“Com este propósito, (o grupo) incentiva encarecidamente o primeiro-ministro designado Ariel Henry a continuar a missão que lhe foi confiada para formar esse governo”, acrescentaram os embaixadores.

Os EUA celebraram ontem a notícia e pediram a criação de uma coalizão “inclusiva”, que traga estabilidade ao país. “Ficamos animados em ver os atores políticos e civis haitianos trabalhando para formar um governo de união que possa estabilizar o país e sentar as bases para eleições livres e justas”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Membros da sociedade civil haitiana criticaram duramente nos últimos dias a comunidade internacional por apoiar Henry e insistiram na criação de um novo governo interino desvinculado dos tradicionais partidos políticos do Haiti. Muitos haviam pedido a renúncia de Moïse, alegando que ele estava aliado às gangues violentas que aterrorizaram o país, e disseram que não reconheceriam um líder interino nomeado por Moïse.

O novo governo, que enfrenta múltiplos desafios em razão da atual crise institucional e de segurança no país, terá a tarefa de organizar eleições o mais rápido possível. Moïse governava o Haiti por decreto depois que as eleições legislativas de 2018 foram adiadas em razão de disputas, e até agora o país não tem uma legislatura em exercício. 

Além das eleições presidenciais, parlamentares e locais, o Haiti deve realizar um referendo constitucional em setembro, depois que a consulta foi adiada duas vezes pela pandemia do coronavírus. 

O funeral de Moïse, assassinado aos 53 anos por um comando armado, será realizado na sexta-feira. Sua mulher, Martine Moïse, ferida no mesmo ataque, voltou no sábado para o funeral em Porto Príncipe, depois de se recuperar em um hospital de Miami.

Investigações continuam

 A investigação sobre o assassinato de Moïse continua, com o apoio técnico da policial federal americana, o FBI, e da Colômbia.

A polícia haitiana prendeu cerca de 20 militares aposentados colombianos que trabalhavam como mercenários e afirma ter descoberto um complô organizado por um grupo de haitianos, incluindo um ex-senador atualmente procurado e um pastor médico radicado na Flórida. 

No entanto, há muitas dúvidas, especialmente sobre a possível cumplicidade de autoridades haitianas no atentado, o que explicaria a aparente facilidade com a qual o comando realizou sua missão.

Na sexta-feira, a polícia colombiana identificou o ex-funcionário do Ministério da Justiça haitiano Joseph Felix Badio como o responsável direto de ordenar aos mercenários colombianos que matassem Moïse. Segundo o general Jorge Luis Vargas, chefe da Polícia Nacional da Colômbia, Badio havia se reunido com dois mercenários – Duberney “Capador” e Germán Rivera, o primeiro foi morto e o segundo está preso – para dizer que sua missão era capturar Moïse, mas três dias antes da operação lhes disse que tinham de assassinar o presidente. 

Segundo Vargas, Badio trabalhava na luta contra a corrupção juntamente com o serviço de inteligência haitiano. A investigação ainda não determinou se Badio atuou seguindo ordens nem os motivos pelos quais decidiu matar o presidente. Os mercenários afirmam que tinham sido contratados com a missão de deter Moïse e entregá-lo à agência antidrogas dos EUA (DEA). / NYT, WP, AFP, EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.