Premiê iraquiano ameaça atacar áreas civis que não expulsarem Al-Qaeda

Ofensiva. Nuri al-Maliki recomenda a moradores de Faluja que retirem milicianos extremistas da cidade para evitar bombardeio; declaração é interpretada como sinal de que o governo prepara intervenção militar para recapturar reduto sunita a 70km de Bagdá

AP e Reuters/O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2014 | 02h08

BAGDÁ - O primeiro-ministro do Iraque, o xiita Nuri al-Maliki, recomendou ontem aos moradores e líderes tribais de Faluja, cidade sunita a 70 quilômetros de Bagdá, que expulsem militantes ligados à Al-Qaeda que ocuparam a cidade nos últimos dias para evitar uma intervenção militar direta no local. Em meio a temores de um ataque do governo, refugiados deixam a região, cercada por militares.

"O primeiro-ministro faz um apelo às tribos e aos moradores de Faluja para que eles expulsem os terroristas da cidade e, dessa forma, não corram os riscos de um combate armado", afirmou Maliki na TV.

Dois líderes tribais locais disseram que reuniões estavam ocorrendo com os clérigos e dirigentes comunitários para encontrar uma maneira de convencer os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês) a deixar Faluja.

No pronunciamento, Maliki disse que os bombardeios contra Faluja têm evitado áreas residenciais. No domingo, confrontos entre o ISIL e forças do governo deixaram 34 mortos na Província de Anbar. Líderes tribais sunitas, que durante a ocupação americana ajudaram a expulsar militantes da província, estariam lutando ao lado dos fundamentalistas.

Tensão. O avanço recente do ISIL no Iraque e o aumento da violência sectária no país representam, segundo analistas, um revés para o governo liderado pelos xiitas, que constituem a maioria da população.

O secretário de Estado americano, John Kerry, em visita ao Oriente Médio, disse no domingo que o governo dos EUA está preocupado com a situação, mas descartou um envio de tropas. Os EUA decidiram apressar a entrega de mísseis e aviões não tripulados (drones) de vigilância ao Iraque para ajudar o governo a combater os insurgentes. "Vamos acelerar a entrega de 100 mísseis Hellfire suplementares, assim como 10 drones de observação ScanEagle", declarou o coronel Steven Warren, porta-voz do Pentágono.

O subchefe de gabinete do Exército do Irã, general Mohamed Hejazi disse que o país pode contribuir com assessores e equipamento militar. A influência iraniana sobre o governo de Maliki é criticada por líderes sunitas.

Dois anos depois de as tropas americanas terminarem com nove anos de ocupação no Iraque, a violência no país mostra como a guerra civil entre rebeldes sírios, apoiados pela Arábia Saudita, e o governo de Assad, aliado do Irã, repercute sobre a região.

Houve confrontos esporádicos ontem em Ramadi, capital da Província de Anbar. Ao menos seis militantes morreram em uma emboscada de uma milícia sunita pró-governo. Segundo o comandante do Exército em Anbar, Rasheed Fleih, seriam necessários até três dias de ofensiva para expulsar os militantes de Faluja.

Autoridades da área de segurança disseram que Maliki concordou em não ordenar a ofensiva para dar mais tempo ao esforço dos líderes tribais de Faluja para retirar os extremistas. "Não foi determinado um prazo específico, mas não se vai esperar para sempre", disse um oficial. "

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