Premiê iraquiano anuncia plano para unir xiitas e sunitas

O primeiro-ministro do Iraque anunciou nesta segunda-feira um novo plano voltado para unir os radicalmente divididos partidos sunitas e xiitas iraquianos, com o objetivo de sanar a violência que já fez milhares de mortos no país. Só nesta segunda-feira, ao menos 20 pessoas morreram em episódios de violência no país, e mais 14 pessoas foram seqüestradas em Bagdá, informaram autoridades locais.O premiê Nouri al-Maliki apresentou a idéia após conversas com líderes xiitas e sunitas de seu governo. No encontro, os políticos discutiram formas de barrar a espiral de violência sectária que colocou o Iraque a beira de uma guerra civil.Segundo o plano, comissões multipartidárias seriam formadas em cada distrito de Bagdá com o propósito de monitorar os esforços das forças de segurança para barrar a violência. As comissões serão coordenadas por um comitê central e pelas forças armadas."Nós tomamos a decisão para sanar o ódio sectário de uma vez por todas", disse Maliki a repórteres. "Nós prometemos a Deus Todo Poderoso parar com o derramamento de sangue."Quando assumiu o gabinete, em março, Maliki anunciou um plano de reconciliação com 24 pontos, que incluía anistia para os militantes que depusessem suas armas. Até agora, no entanto, o plano de pouco adianto - desde então, milhares de pessoas morreram em atos de violência sectária.Em contraste, o plano anunciado nesta segunda-feira visa mostrar tanto aos xiitas quanto aos sunitas de seu governo que suas preocupações relativas a atuação das forças de segurança iraquianas estão sendo levadas em consideração.O aprofundamento da desconfiança entre os dois lados ameaçam os esforços para sanar o derramamento de sangue.Os políticos sunitas acusam as forças de segurança controladas pelos xiitas de não atuarem para impedir o assassinato de sunitas por militantes xiitas.Já os políticos xiitas, por sua vez, acusam os partidos sunitas de ligação com grupos terroristas como a Al-Qaeda no Iraque.ViolênciaEm meio às negociações, a violência sectária fez ao menos 20 mortos no Iraque nesta segunda-feira.A maior parte dos incidentes ocorreu na capital iraquiana e em seus arredores. Acredita-se que esquadrões da morte envolvidos em uma persistente onda de violência sejam os responsáveis pela maioria dos crimes.Ao mesmo tempo, os corpos decapitados de sete pessoas foram levados hoje à morgue de Kut, disse Hadi al-Itabi, um funcionário do necrotério. Os cadáveres decapitados haviam sido encontrados mais cedo em Suwayrah, 40 quilômetros ao sul de Bagdá.Na zona leste da capital iraquiana, os corpos de mais duas pessoas foram encontrados, informou a polícia. As vítimas foram baleadas e tiveram os braços e as pernas amarrados. Os corpos apresentavam sinais de tortura.Com isso, sobe para 50 o número de cadáveres com sinais de tortura e execução encontrados no Iraque entre o domingo e a segunda-feira, disse o tenente de polícia Thair Mahmoud.SeqüestrosPor volta do meio-dia desta segunda, pelo horário local, 14 funcionários de lojas de acessórios para informática foram seqüestrados perto da Universidade Técnica de Bagdá. Homens armados a bordo de sete carros invadiram as lojas e capturaram os trabalhadores, disse Mahmoud.Trata-se do segundo seqüestro em massa em apenas dois dias em Bagdá. Ontem à noite, 26 funcionários de uma indústria alimentícia instalada na capital iraquiana foram seqüestrados por homens armados.Nos últimos meses, a autoria de casos similares foi atribuída a extremistas sunitas e esquadrões da morte xiitas engajados em atos de violência sectária.Sete corpos encontrados em Dora, um bairro predominantemente sunita de Bagdá, foram identificados como de pessoas que estavam entre os 26 seqüestrados de domingo, disse o tenente de polícia Maitham Abdul Razzaq. Não há informações sobre o destino dos outros 19 reféns.Em meio à persistente onda de violência, o Parlamento iraquiano aprovou nesta segunda-feira a extensão, por mais um mês, de um estado de emergência em vigor na maior parte do Iraque desde novembro de 2004.A medida prevê um toque de recolher noturno e dá ao governo poderes excepcionais para prender suspeitos sem a necessidade de mandados e de promover operações policiais e militares quando julgar necessário.O estado de emergência vale apenas para as províncias xiitas e sunitas do país árabe e não se aplica aos territórios curdos autônomos do norte do Iraque.

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