Premiê iraquiano recusa-se a deixar cargo e fica isolado

Segundo Maliki, nomeação de novo premiê vai contra procedimentos constitucionais

Estadão Conteúdo

12 de agosto de 2014 | 11h17

O atual primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, parecia mais isolado ainda nesta terça-feira em sua luta para permanecer no poder, enquanto políticos italianos e a comunidade internacional respaldam o premiê indicado na segunda-feira com a perspectiva de que ele seja uma figura mais unificadora, extremamente necessária no momento em que o país enfrenta a insurgência do grupo Estado Islâmico em algumas partes do país.

Nesta terça-feira, o secretário de Estado norte-americano John Kerry incitou o primeiro-ministro designado Haider al-Abadi a trabalhar rapidamente para formar um governo inclusivo e disse que o governo norte-americano está preparado para oferecer a ele significativa ajuda adicional na luta contra os militantes que tomaram grande parte do território do norte e oeste do país.

A luta pelo poder em Bagdá acontece enquanto iraquianos combatem militantes do grupo, que já foi ligado à Al-Qaeda. A investida do Estado Islâmico, que vem tomando grande parte do território iraquiano desde junho, se transformou na pior crise desde a saída das tropas norte-americanas do Iraque, em 2011.

Maliki, que está no poder há oito anos, rejeitou de maneira desafiadora a nomeação de um novo premiê, afirmando que "isso vai contra os procedimentos constitucionais".

A nomeação de Al-Abadi é um importante avanço no impasse político que se estende desde as eleições parlamentares de abril e mostra que Maliki, que afirma ainda ser o primeiro-ministro já que seu bloco político conquistou a maioria dos assentos na Assembleia, perdeu parte do apoio da principal coalizão de partidos xiitas.

Críticos de Maliki dizem que ele contribuiu para a crise política iraquiana ao monopolizar o poder e buscar uma agenda sectária que afastou as minorias sunita e curda.

Al-Abadi, que foi ministro de Comunicações entre 2003 e 2004, prometeu formar um governo para "proteger o povo iraquiano". Ele foi nomeado após receber a maioria dos votos dos parlamentares da Aliança Nacional Iraquiana, a coalizão de partidos xiitas.

Mas há também os que defendem a luta de Maliki para manter seu cargo e criticam a nomeação de Al-Abadi. "A decisão vai levar o país a enfrentar grandes problemas e o presidente tem a responsabilidade por esta situação", disse Mohammed al-Ogeili, parlamentar do bloco parlamentar Estado de Direito, do qual Maliki faz parte.

A União Europeia disse nesta terça-feira que quer "levar ajuda vital a milhares de civis presos pelos confrontos" e elevou sua ajuda em 5 milhões de euros para um novo total de 23 milhões de euros neste ano.

A Comissária responsável pela Cooperação Internacional, Ajuda Humanitária e Respostas a Crises da UE, Kristalina Georgieva, disse que os recursos vão ajudar "iraquianos vulneráveis, dentre eles as minorias cercadas nas montanhas de Sinjar" e as comunidades que recebem um crescente número de refugiados. Fonte: Associated Press.

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