Paulo Nunes dos Santos/The New York Times
Paulo Nunes dos Santos/The New York Times

Premiê irlandês pede desculpas por adoções ilegais no país

O agência revelou que 126 pessoas na Irlanda tiveram pais adotivos registrados como 'pais biológicos' 

O Estado de S.Paulo

30 Maio 2018 | 17h29

DUBLIN - O primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, confirmou nesta quarta-feira, 30, no Parlamento de Dublin, a existência de um caso de adoções ilegais no país, um escândalo que poderia afetar “centenas de milhares” de pessoas em um país de 4,7 milhões de habitantes.

O primeiro-ministro pediu desculpas às 126 pessoas que tiveram seus pais adotivos inscritos como “biológicos” entre 1946 e 1969. Ele afirmou ainda que isso representa um “outro capítulo obscuro da história” do país. A revelação foi feita pela agência estatal de assuntos familiares e da infância, Tusla, que detectou as irregularidades ao estudar os arquivos da agência de adoção católica St Patrick’s Guild.

Varadkar afirmou ao Parlamento que a prioridade de seu governo é agora determinar o alcance deste escândalo e chegar aos envolvidos, embora tenha reconhecido que trata-se de uma "tarefa gigante".

"Há pessoas que irão descobrir que foram adotadas, depois de acreditarem durante 50 ou 60 anos que eram filhos biológicos das pessoas que as criaram. Também será difícil para os pais que os criaram, pois deverão ter uma conversa delicada", disse o primeiro-ministro. O afetado mais jovem tem 49 anos e o mais velho, 72, segundo a agência France Presse.

O pedido de desculpas veio poucos dias depois de a Irlanda ter votado “sim” à reforma do aborto em um referendo, o que foi considerado uma perda de influência da Igreja Católica.

"Estamos abrindo outro capítulo da nossa história mais obscura, mas agora esse país é diferente, como demonstra o resultado do referendo do fim de semana passado", afirmou Varadkar

 

Uma mulher que foi adotada ilegalmente em 1954 disse que as 126 pessoas mencionadas no comunicado são apenas a "ponta do iceberg", como declarou Theresa Hiney Tinggal ao Guardian

Theresa rastreou sua família biológica por meio de DNA que a levou à cidade de Tipperary. Ela descobriu, aos 48 anos, que não só tinha sido adotada como sua mãe biológica já estava morta. 

Segundo ela, sua mãe adotiva a pegou com apenas dois dias de vida. "A enfermeira disse a ela para sair pela porta lateral porque Bridget (sua mãe biológica) poderia estar olhando pela janela. A enfermeira e ela me levaram até uma igreja em Donnycarney onde fui batizada como Theresa Hiney." 

As novas revelações são feitas poucos anos depois de vir à tona o escândalo conhecido como Magdalene Laundries, da instituição dirigida pela Igreja Católia para abrigar "mulheres fracassadas". Milhares de mulheres que engravidaram fora do casamento ou eram consideradas moralmente rebeldes foram encarceradas nesse local onde eram obrigadas a trabalhar sem receber nada por isso. Muitas tiveram seus bebês tomados e entregues para adoção. 

Há cinco anos, o governo irlandês se desculpou após a conclusão de uma investigação do Estado sobre a Magdalene Laundries. O escândalo, como lembrou o Guardian, é uma das razões que fizeram cair a autoridade moral da Igreja na Irlanda. / COM EFE e AFP

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