Premiê israelense define acordo nuclear com Irã como 'erro histórico'

Para Binyamin Netanyahu, pacto que prevê redução das atividades nucleares torna o mundo 'muito mais perigoso'

Atualizado às 12h22

24 de novembro de 2013 | 08h54

Tel Aviv - O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, criticou duramente o acordo nuclear firmado neste domingo, 24, entre o Irã e outras seis potências mundiais, classificando-o como um "erro histórico" que não diminui a ameaça existencial enfrentada pelo Estado judeu. Netanyahu fez as declarações no início de uma reunião semanal do gabinete.

"O que foi alcançado em Genebra na noite passada não é um acordo histórico, é um erro histórico", disse o premiê israelense. "Hoje o mundo se tornou muito mais perigoso, porque o regime mais perigoso tomou um passo significativo para obter as armas mais perigosas do mundo", declarou ele. "Pela primeira vez, as principais potências do mundo concordaram com o enriquecimento de urânio no Irã, ignorando as decisões do Conselho de Segurança que eles mesmos lideraram."

Participaram da negociação chanceleres dos Estados Unidos, China, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha e França. O presidente iraniano, Hassan Rohani, endossou o acordo, que implica na suspensão das atividades nucleares por seis meses em troca de alívio limitado e gradual das sanções comerciais, incluindo o acesso aos US$ 4,2 bilhões gerados pelas vendas de petróleo. O período de seis meses dará aos diplomatas tempo para negociar um pacto mais abrangente.

Israel tem sido um forte crítico aos esforços dos Estados Unidos para negociar com o Irã, argumentando que Teerã estaria usando as conversas para ganhar tempo para conseguir armas nucleares. Os israelenses alegam que Teerã chegou ao "limite" de tal capacidade, tendo conhecimento suficiente e material para construir uma ogiva nuclear dentro de meses. Mas Irã afirma que o programa é pacífico, e não para uso militar.

Reações. A reação inicial da Arábia Saudita ao acordo foi silenciosa. Analistas preveem que os líderes do Golfo Pérsico devam ficar tranquilizados pelo fato de que todas as potências ocidentais que participaram das negociações, e não apenas os Estados Unidos, aprovaram o pacto. Extraoficialmente, contudo, alguns sauditas temiam que os EUA estivessem muito ansiosos para firmar um pacto com o rival mais feroz do país, deixando brechas para o Irã ainda trabalhar secretamente em armas atômicas. O Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita não estava imediatamente disponível para comentar o acordo neste domingo.

O presidente da França, François Hollande, afirmou que o pacto simboliza o primeiro passo em direção à normalização das relações entre Paris e Teerã. O governo sírio também saudou a negociação. "[A Síria] considera este um acordo histórico que garante os interesses do fraterno povo iraniano e reconhece seu direito ao uso pacífico de energia nuclear", disse o Ministério de Relações Exteriores à mídia local.

O presidente russo, Vladimir Putin, considera o acordo um avanço, mas disse ser apenas o primeiro passo em um longo processo. "Um passo foi dado, mas apenas o primeiro em um longo e difícil caminho", disse ele depois de uma maratona de negociações em Genebra. "Como resultado das negociações...nós conseguimos chegar mais perto de desatar um dos nós mais difíceis na política mundial", acrescentou Putin em comunicado.

Fonte: Dow Jones Newswires

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