AP Photo/Mahmoud Illean
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Premiê israelense proíbe entrada de deputados na Esplanada das Mesquitas

Objetivo da decisão é diminuir a violência na região; polícia de Israel recomenda que cidadãos saiam com armas às ruas

O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2015 | 14h28

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, estendeu nesta quinta-feira, 8, a proibição de entrada no Monte do Templo (Esplanada das Mesquitas de Jerusalém), a todos os deputados do país, depois de impedir a vista de parlamentares judeus na quarta-feira, em resposta às pressões de vários ministros de seu partido.

"A ordem do primeiro-ministro à polícia de proibir os ministros e deputados de subirem ao Monte do Templo é aplicável por igual a judeus e árabes", disse um porta-voz do primeiro-ministro citado por vários meios da imprensa local.

Trata-se de uma decisão para "esfriar os ânimos" da região, considerada sagrada por muçulmanos e judeus e palco de uma onda de violência nas últimas semanas.

A decisão de proibir o acesso aos deputados árabes acontece depois do anúncio feito ontem por Netanyahu a respeito dos políticos judeus, e em razão das fortes pressões de deputados e ministros nacionalistas que se queixaram que a medida deveria ser igual para todos, judeus e árabes.

"Não se pode tolerar que os únicos que podem subir (ao Monte do Templo) sejam os deputados árabes, que são os maiores incitadores da violência contra o Estado de Israel", se queixou o ministro para Assuntos de Jerusalém, Ze'ev Elkin.

As visitas cada vez mais frequentes de dirigentes judeus e de nacionalistas religiosos, que querem rezar onde há 2 mil anos ficava o templo de Jerusalém, são o principal motivo da atual escalada.

Os palestinos as consideram uma provocação que atenta contra suas aspirações nacionais à Jerusalém Oriental, ocupada por Israel em 1967, e uma ameaça à Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais importante do Islã.

Segurança. A polícia de Israel está recomendando aos cidadãos do país que possuem porte que saiam com suas armas às ruas durante os dias de violência para colaborar na segurança pública, disse nesta quinta-feira uma porta-voz policial.

"Trata-se de uma recomendação, não de uma ordem", confirmou Luba Samri depois que alguns comandantes da polícia e políticos fizeram o pedido em público em razão da onda de violência que assola a região há três semanas.

Fontes policiais consideram que a colaboração dos cidadãos frente ao que chamam de "lobos solitários", em alusão aos ataques individuais de palestinos, é imprescindível, já que não são ações possíveis de serem prevenidas com informação de inteligência.

"Acredito que (a recomendação) é necessária para potencializar a sensação de segurança", disse o subcomissário Omri Shakel, chefe de um dos distritos policiais do sul do país.

Essa recomendação também foi feita hoje por Nir Barkat, prefeito de Jerusalém, um dos focos de maior tensão desde 13 de setembro.

"O prefeito pede aos cidadãos com porte que levem suas armas para potencializar a segurança, e dará o exemplo portando a sua", confirmaram fontes da prefeitura ao serviço de notícias Walla. /EFE

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