EFE/ Ettore Ferrari
EFE/ Ettore Ferrari

Premiê italiano ameaça renunciar após brigas na base governista

Caso as disputas entre os partidos Movimento 5 Estrelas e a Liga não acabem, Giuseppe Conte promete convocar novas eleições

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2019 | 17h22

ROMA - O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, ameaçou renunciar nesta segunda-feira, 3, devido a uma série de brigas entre os dois partidos que formam a coalizão que governa o país. Caso as disputas entre o Movimento 5 Estrelas e A Liga não acabem, o premiê promete convocar novas eleições.

Sem apoio político, Conte convocou uma entrevista coletiva para fazer o ultimato extraordinário depois de meses de brigas dentro de sua coalizão. "Eu não estou aqui apenas para sair à deriva", disse Conte a repórteres em sua residência oficial. "Se eles claramente não assumirem suas responsabilidades, eu vou renunciar ", completou.

A Liga e o Movimento 5 Estrelas têm brigado por tudo, desde grandes projetos de infraestrutura e imigração até o significado histórico dos feriados nacionais e sobre quem foi o responsável por um acidente com navio de cruzeiro em Veneza neste domingo, 2.

A disputa se intensificou após a realização da eleição para o parlamento europeu no mês passado. A Liga alcançou 34% dos votos enquanto o Movimento 5 Estrelas ficou com 17%. O resultado alimentou a especulação que o líder da Liga, Matteo Salvini, poderia abandonar seus parceiros de coalizão.

Enquanto Conte falava aos jornalistas, Salvini foi ao Twitter dizer que vai seguir no partido. "Estamos prontos, queremos avançar e não tenho tempo a perder. A Liga está dentro". Não houve resposta imediata do líder do Movimento 5 estrelas Luigi Di Maio, cuja posição foi enfraquecida pela derrota eleitoral.

Aos jornalistas, Conte disse que o governo enfrenta um complexo orçamento para 2020 e que a Itália precisava da confiança dos mercados financeiros.

Orçamento para 2020

Durante as recentes brigas lutas internas do governo, investidores venderam títulos italianos, o que aumentou o receio sobre a capacidade de Roma de administrar uma enorme dívida pública de € 2,3 trilhões (cerca de US $ 2,6 trilhões). "Não devemos deixar controvérsias estéreis e argumentos inúteis desperdiçar nossa energia preciosa ou distrair os objetivos do governo", disse Conte.

A Itália enfrenta a possibilidade de processos disciplinares da União Europeia por violação das regras fiscais do bloco, o que Salvini classifica como desatualizadas e prejudiciais à economia do país.

Conte disse que as sanções da UE seriam muito prejudiciais, e o governo deve cumprir as regras até que elas sejam alteradas.

“Todos os problemas, mesmo os mais espinhosos, podem ser resolvidos, mas é necessário um clima de cooperação e ajuda mútua. Sem isso, é difícil enfrentar desafios tão delicados", disse Conte. / REUTERS 

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