Premiê italiano diz que protesto foi ''subversivo''

Berlusconi fez a afirmação em resposta às milhares de italianas que foram às ruas de todo o país no domingo, exigindo sua renúncia imediata

, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 00h00

ROMA

Em resposta aos protestos que juntaram centenas de milhares de italianas por todo o país, o premiê da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou ontem que não tem nenhuma intenção de deixar o cargo, conforme exigem as manifestantes. As mulheres não se conformam com os últimos escândalos sexuais do premiê investigados pela Promotoria de Milão, que acusa o líder de centro-direita de envolvimento com prostitutas menores.

À sua emissora de televisão, o Canale 5, Berlusconi classificou as manifestações como "subversivas" e "vergonhosas". "Vi a mobilização das facções de sempre contra mim, de uma certa parte da esquerda que usa qualquer pretexto para derrotar o adversário que não consegue derrotar nas urnas", disse.

"A Itália não é um bordel!", gritaram as manifestantes em mais de 200 cidades italianas no domingo. Uma pesquisa do instituto Demos publicada no jornal La Repubblica mostrou uma queda de 4,6% na popularidade do premiê, que passou para 30,4%. Já o ministro da Economia, Giulio Tremonti, visto como possível alternativa para a manutenção de um governo de centro-direita na Itália caso Berlusconi deixe o poder, viu um aumento de 7,8 % em sua popularidade, que subiu para 50,4%.

Os promotores de Milão pediram à Justiça o julgamento do primeiro-ministro, alegando que têm provas de que ele pagou por sexo à marroquina Karima el-Mahroug, mais conhecida como Ruby "Rouba Corações", quando ela ainda era menor de idade.

Em outra acusação, de abuso de poder, a Promotoria afirma que Berlusconi usou de sua influência para libertar a jovem de uma prisão pelo roubo da 3 mil, em maio de 2010. O premiê teria dito que Ruby era sobrinha do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak para que a soltassem.

Segundo os promotores, uma menor brasileira frequentou orgias promovidas por Berlusconi em duas de suas residências. Hoje com 19 anos, Iris Berardi referia-se ao premiê como "papi" em seu diário e seria uma das prostitutas favorecidas com um apartamento pelo líder. Em um desses imóveis, foram encontrados quase 3 quilos de cocaína em 2010, segundo um dossiê em poder de uma comissão parlamentar italiana.

Berlusconi afirma que as acusações são "repugnantes" e têm motivação política.

A última aparição de Ruby tornou-se pública ontem. Em roupas íntimas, ela anuncia um romance em seis línguas. "Agora que o regime desnudou a sociedade, busca um bode expiatório porque, seja ele culpado ou não, serve para distrair a atenção da necessidade de uma mudança real", diz Ruby na propaganda do livro O Labirinto Feminino, de Afonso Luigi Marra, ex-eurodeputado da Força Itália que se dedica à literatura. / REUTERS e EFE

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