REUTERS/Toru Hanai
REUTERS/Toru Hanai

Abe é reeleito no Japão e confirma plano para mudar a Constituição

Principal projeto do primeiro-ministro é revisar a Carta feita pelos EUA após a 2ª Guerra para pertmitir a existência de Forças Armadas

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2018 | 03h13

TÓQUIO - O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foi reeleito como chefe do Partido Liberal Democrático (PLD) nesta quinta-feira, 20, e deve liderar o país por mais três anos. O líder do partido governista é automaticamente eleito o premiê do país.

A vitória pode permitir a Abe dar prosseguimento a seu plano de revisar a Constituição do Japão, embora os obstáculos para alcançar o objetivo permaneçam e carreguem consigo riscos políticos.

"É hora de fazer uma revisão constitucional", disse o primeiro-ministro no discurso de vitória. Ele afirmou que está determinado a usar seu último mandato para perseguir seu objetivo político de dar fim à diplomacia japonesa do pós-guerra e garantir a paz no país. "Vamos trabalhar juntos para fazer um novo Japão", disse.

A atual Constituição japonesa foi elaborada pelos Estados Unidos em 1947. Sua revisão é uma promessa do PLD desde que foi fundado em 1955, e uma meta que nenhum dos antecessores de Abe conseguiu alcançar. O premiê disse que espera apresentar uma versão preliminar da revisão constitucional a uma sessão parlamentar ainda neste ano.

Ele propõe adicionar uma cláusula ao Artigo 9, que proíbe ao Japão o uso de força na resolução de disputas internacionais. A mudança permitiria a existência de Forças Armadas no país, que atualmente são chamadas de Forças de Autodefesa.

Muitos conservadores vêem a Constituição atual como uma humilhação imposta ao Japão, após a derrota na 2ª Guerra. Entre os críticos, estava o avô de Abe, Nobusuke Kishi, que serviu como primeiro-ministro de 1957 a 1960.

Mesmo sendo um projeto de longa data, a revisão constitucional não é unânime e ainda não é claro se o primeiro-ministro conseguirá votos suficientes para sua aprovação. Ele e os principais membros de seu partido querem apressar a revisão, enquanto a coalizão governista ainda detém dois terços dos assentos nas duas Casas parlamentares. A próxima eleição parlamentar está prevista para ocorrer entre junho e setembro do próximo ano.

Abe é primeiro-ministro do país desde 2012 e cimentou seu controle sobre o PLD, recebendo apoio dos conservadores por alcançar estabilidade e dar continuidade às políticas econômicas e diplomáticas. Com o terceiro mandato garantido, ele se tornará o líder que mais tempo passou no cargo em agosto de 2021.

Ainda assim, ele enfrentará desafios, como o envelhecimento e declínio da população, uma sucessão real e o aumento do imposto de consumo para 10%, que já foi adiado por duas vezes.

Além disso, o primeiro-ministro enfrentará preocupações com a segurança, decorrentes de ameaças nucleares da Coreia do Norte e da atividade militar chinesa, cada vez mais assertiva. Além disso, a intensificação do atrito comercial com os Estados Unidos pode abalar a amizade do país com a administração de Donald Trump.

Para a população, a Constituição é uma preocupação menor, se comparada com questões como remuneração, educação e os custos altos para cuidado infantil. E se a revisão da Constituição for rejeitada em referendo nacional, Abe provavelmente terá que renunciar ao cargo. / AP

Mais conteúdo sobre:
Japão [Ásia]Shinzo Abe

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.