Premiê libanês oferece cargo após atentado mas é mantido

Explosão de carro-bomba em Beirute na sexta-feira provocou crise no governo do Líbano.

BBC Brasil, BBC

20 de outubro de 2012 | 09h57

O premiê do Líbano, Najib Mikati, colocou seu cargo à disposição neste sábado em uma reunião de emergência sobre o atentado com carro-bomba em Beirute da sexta-feira, que matou o diretor da agência de inteligência do país.

No entanto, o presidente Michel Suleiman não aceitou a renúncia, e pediu que Mikati continue no cargo. O premiê disse que aceitou o pedido do presidente, e que o país precisa agora permanecer "unido, forte e com segurança".

O atentado da sexta-feira matou oito pessoas e feriu 12, incluindo Wissam al-Hassan, que dirigia o serviço de inteligência interna.

Neste sábado, políticos libaneses anti-Síria acusaram o governo de Damasco de estar por trás do ataque. Os líderes da oposição, Saad Hariri, e dos drusos, Walid Jumblatt, disseram que o governo do presidente sírio Bashar al-Assad foi responsável pelo ataque.

A coalizão de partidos liderada por Hariri pediu que o governo libanês renuncie. Movimentos ligados à oposição foram às ruas em protesto e montaram barricadas em algumas ruas, com pneus queimados.

O ataque ocorreu no distrito de Ashrafiya, de maioria cristã, em uma rua movimentada próximo à sede da coalizão 14 de Março, liderada por Saad Hariri. Este foi o pior atentado na capital libanesa em quatro anos, e destruiu a fachada de diversos prédios.

Hassan era próximo a Hariri, um dos principais críticos do regime sírio. Foi Hassan quem liderou a investigação que concluiu que o governo sírio participou do atentado de 2005 que matou o ex-premiê Rafik Hariri, pai de Saad.

O trabalho de Hassan também levou à prisão recente de um ex-ministro acusado de planejar um atentado no Líbano sob ordens do regime sírio.

Divisão

As comunidades religiosas no Líbano estão divididas entre apoiadores e críticos do presidente sírio, Bashar al-Assad. A tensão tem crescido com o conflito no país vizinho.

"Nós acusamos Bashar al-Assad de assassinar Wissam al-Hassam, o fiador da segurança dos libaneses", disse Saad Hariri, em discurso na televisão libanesa.

Já Jumblatt disse à televisão Al-Arabiya: "[Al-Assad] está nos dizendo que mesmo que ele tenha levado a Síria à ruína, 'eu estou pronto para matar em qualquer lugar'".

O parlamentar Nadim Gemayel, do movimento de direita Partido da Falange Cristã, também acusou Síria e Assad.

"Este regime, que está desmoronando, está tentando exportar seu conflito para o Líbano", afirmou.

O movimento 14 de Março divulgou uma nota na qual acusa o governo local de proteger "criminosos", e exigindo a renúncia dos principais líderes libaneses.

O movimento Hezbollah, que é aliado do regime sírio, condenou a violência. O ministro sírio da informação, Omran al-Zoubi, disse que se tratou de um ato "covarde e terrorista", e que estes incidentes são "injustificáveis, seja onde for".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu que todos os partidos libaneses "não sejam provocados por atos terroristas hediondos".

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, afirmou que o ataque à bomba é "um sinal perigoso de que existe gente que continua tentando afetar a estabilidade do Líbano". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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