Premiê libanês pede ajuda mundial a seu país

Em um apelo emocionado aos líderes mundiais que se reúnem em Nova York, o primeiro-ministro do Líbano disse nesta sexta-feira que seu país enfrenta uma "terrível investida terrorista" e um desastre nacional criado pelos mais de um milhão de refugiados sírios que inundam a pequena nação.

Estadão Conteúdo

26 de setembro de 2014 | 18h57

Em depoimento na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Tammam Salam afirmou que o Líbano está determinado em não ceder "à pressão e às chantagens" dos extremistas islâmicos que invadiram uma cidade na fronteira com a Síria em agosto e mantêm cerca de 20 soldados e policiais libaneses como reféns.

O Estado Islâmico, grupo dissidente da Al-Qaeda, já decapitou dois sequestrados e a Frente Al-Nusra, principal braço da Al-Qaeda na Síria, matou um terceiro a tiros, levando a um período de violência contra refugiados sírios no Líbano. Desde então, soldados libaneses entraram em confronto com combatentes extremistas na região da fronteira próxima da cidade de Arsal.

Os militantes fizeram uma série de demandas como contrapartida para a libertação dos soldados, incluindo a soltura de prisioneiros islâmicos mantidos em prisões libanesas. "Nós não vamos nos render a essa pressão, e vamos nos manter focados na libertação de nossos soldados, enquanto preservamos nosso país", disse Salam.

Há muito tempo, os habitantes do Líbano têm se dividido sobre a guerra civil na vizinha síria. Os sunitas apoiam a rebelião contra o presidente sírio, Bashar Assad, e os xiitas são a favor de seu governo, temendo o surgimento de extremistas entre as fileiras rebeldes. O movimento xiita Hezbollah enfureceu muitos sunitas ao enviar combatentes para lutarem ao lado das tropas de Assad.

Salam também lembrou que o número de refugiados sírios que inundam o pequeno Líbano - equivalente a um terço da população libanesa - representa agora um desastre nacional. "Para se ter total noção das implicações da situação, nós poderíamos imaginar um milhão de pessoas - sim, um milhão de pessoas - migrando de forma massiva para os Estados Unidos e se espalhando por cidades, vilas, escolas e parques", ele disse.

O premiê se encontrou com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, na manhã desta sexta-feira. Uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado disse que Kerry destacou o compromisso firme dos Estados Unidos com a segurança e a estabilidade no Líbano. O secretário também elogiou Salam pelos esforços de combater o Estado Islâmico dentro de suas fronteiras. Fonte: Associated Press.

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