Mohamed Azakir/REUTERS
Mohamed Azakir/REUTERS

Premiê libanês renuncia um mês após assumir o cargo

Em discurso televisionado, Mustapha Adib pediu desculpas por 'não poder seguir com a tarefa de formar governo'

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2020 | 14h44

BEIRUTE - O primeiro-ministro libanês Mustapha Adib anunciou neste sábado, 26, sua renúncia ao cargo, que ocupa há cerca de um mês. Em discurso televisionado, Adib pediu desculpas "por não poder seguir com a tarefa de formar governo", após longas negociações para montar uma equipe que fosse aprovada pelas diferentes forças políticas rivais do país. 

O anúncio acontece em um momento de forte pressão internacional. Lideranças querem que autoridades do Líbano realizem reformas para tirar o país da grave situação econômica que enfrenta há meses.

No início de setembro, políticos libaneses prometeram ao presidente francês, Emmanuel Macron, que formariam um novo governo em 15 dias. O processo, no entanto, está paralisado devido às divergências sobre a atribuição dos ministérios. 

Os principais obstáculos são o movimento xiita armado Hezbollah, um peso pesado da política local, e seu aliado Amal, liderado pelo líder do Parlamento, Nabih Berri. Ambos exigem o Ministério das Finanças.

Os demais partidos e o ex-primeiro-ministro sunita Saad Hariri rejeitam esse pedido.

"Quando os esforços para formar governo estavam perto de seu fim, vi claramente que não existia mais consenso e que uma equipe com os critérios que estabeleci já estava condenada ao fracasso", justificou Adib em seu discurso.

O governo anterior renunciou dias após a devastadora explosão que destruiu bairros inteiros de Beirute e deixou mais de 190 mortos e cerca de 6.500 feridos.

Fim da iniciativa francesa?

Por sua vez, o presidente Michel Aoun "aceitou", neste sábado, a decisão de Adib e afirmou que "tomará as medidas apropriadas conforme as exigências da Constituição" para designar um novo primeiro-ministro.

"A iniciativa lançada pelo presidente francês Emmanuel Macron continua e tem todo o meu apoio", destacou Aoun em referência ao plano traçado pela França para ajudar o país a sair de sua crise.

Mustapha Adib concordou, afirmando que a iniciativa "deve continuar porque manifesta a intenção sincera do Estado francês e do presidente Macron de apoiar o Líbano". /AFP

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