Atef Safadi/EFE
Atef Safadi/EFE

Premiê no banco dos réus divide ainda mais os israelenses; leia a análise 

Com o seu futuro em jogo, analistas dizem que a melhor aposta do premiê para superar seus problemas jurídicos seria permanecer no cargo e obter algum tipo de imunidade

Isabel Kershner / The New York Times, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 05h00

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, compareceu ontem a um tribunal de Jerusalém para ser julgado por corrupção. Simultaneamente, do outro lado da cidade, representantes de seu partido, o Likud, imploravam ao presidente do país, Reuven Rivlin, que o incumbisse de formar o próximo governo. Para muitos, a convergência dos dois eventos ilustra bem o mal-estar político que aflige Israel.

Depois de quatro eleições inconclusivas em dois anos, Netanyahu continua sendo a figura mais polarizadora do país. Mas ele também continua sendo o líder do maior partido de Israel, o mais votado na eleição do mês passado. Com o seu futuro em jogo, analistas dizem que a melhor aposta do premiê para superar seus problemas jurídicos seria permanecer no cargo e obter algum tipo de imunidade.

No entanto, nenhum bloco político consegue maioria para governar e Israel parece um país estagnado, preso entre a incapacidade de perdoar totalmente o premiê e a possibilidade de tirá-lo definitivamente de cena. Agora, é o sistema democrático que está no banco dos réus.

“Netanyahu e seus apoiadores não alegam inocência. Preferem atacar a legitimidade do julgamento e do sistema judicial”, disse Shlomo Avineri, professor da Universidade Hebraica. Israel, segundo ele, se aproxima de uma crise constitucional que é simbolizada pelos dois processos se desenrolando em paralelo.

O impasse é agravado pela recusa de Netanyahu em se afastar do cargo durante o julgamento, mas também pela agenda conflitante da oposição. Alguns partidos – mesmo detestando o premiê – rejeitam ainda mais a possibilidade de participar de um governo ao lado de outras legendas. Muitos analistas acreditam que a indefinição levará a uma quinta eleição. 

“O grande número de partidos é hoje um sinal de que a unidade israelense está se desfazendo”, disse Yedidia Stern, presidente do Instituto de Política Judaica, de Jerusalém. “A sociedade israelense está muito fragmentada. A falta de coesão não desaparecerá só porque o resultado da eleição favorece um ou outro candidato.” 

*É JORNALISTA E CORRESPONDENTE EM JERUSALÉM

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.