Mohamad Torokman/Reuters
Mohamad Torokman/Reuters

Premiê oferece renúncia ao líder palestino

Demissão de Rami Hamdallah abriria espaço para governo de unidade entre Fatah e Hamas

O Estado de S. Paulo,

25 de abril de 2014 | 23h14

RAMALLAH - O primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, ofereceu na sexta-feira, 25, sua renúncia ao presidente, Mahmoud Abbas, de acordo com a agência de notícias oficial Wafa. A medida abriria caminho para a formação do governo de unidade acertado ente Abbas e o Hamas, na quarta-feira.

Também nesta sexta, o presidente americano, Barack Obama, afirmou que uma pausa na negociação entre palestinos e israelenses - que já estava frágil e foi interrompida após o anúncio de reconciliação das facções palestinas - "pode ser necessária" para que os dois lados avaliem as alternativas disponíveis.

"Apresento minha demissão e o governo está nas mãos de Vossa Excelência sempre que desejar", teria dito o premiê palestino para Abbas, segundo a Wafa. Hamdallah teria colocado também o cargo de todos os ministros à disposição do presidente para que o gabinete seja dissolvido assim que o líder considerar oportuno.

No ano passado, o premiê, cujo cargo é limitado à administração interna, já tinha oferecido sua renúncia em razão de uma disputa sobre seus poderes, mas acabou voltando atrás. Caso o presidente aceite a renúncia de Hamdallah, um governo de tecnocratas independentes poderá ser formado dentro das cinco semanas previstas no acordo com o Hamas. Uma eleição nos próximos seis meses também deverá ser convocada.

Acordo

Depois do anúncio da reconciliação das duas principais facções palestinas, Israel anunciou, na quinta-feira, a suspensão do diálogo com a Autoridade Palestina (AP) mediado pelos Estados Unidos. Na ocasião, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que a AP deveria decidir se "quer a paz com o Hamas ou com Israel".

Na sexta, porém, o presidente americano afirmou, durante visita à Coreia do Sul, que a decisão tomada por Hamas e Fatah "não ajudava" e fazia parte de uma série de escolhas feitas pelos dois lados nas últimas semanas que reduziram as chances de um acordo de paz.

"Pode ser que tenhamos chegado a um ponto no qual é necessária uma pausa e os dois lados devem procurar alternativas", avaliou Obama, que insistiu que a questão da paz no Oriente Médio não deve ser abandonada. "O que não vimos foi, francamente, o tipo de motivação política para tomar decisões realmente difíceis e isso vale para os dois lados."

Nem os palestinos nem os israelenses comentaram as declarações de Obama.

Compromisso

O Departamento de Estado dos EUA afirmou que Abbas assegurou que o governo de unidade com o Hamas reconhecerá o direito de existência do Estado Israel. "O presidente palestino reafirmou seu apoio a esse princípio", disse a porta-voz do departamento, Jen Psaki.

Jen disse também que, na quinta-feira, o secretário de Estado americano, John Kerry, conversou com Abbas e se mostrou confiante de que a reconciliação entre Hamas e Fatah é parte do processo para o início formal das negociações com Israel.

"Para Kerry, este é um momento de transição e faz parte do processo. Estamos numa fase de espera na qual as partes precisam averiguar qual será o próximo passo", disse Jen. / AFP, REUTERS e EFE

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