Muhammed Muheisen/AP
Muhammed Muheisen/AP

Premiê palestino apresenta demissão de governo de unidade entre Fatah e Hamas

Rami Hamdallah confirmou nesta quarta-feira a dissolução da aliança reconciliadora formada em 2014, conforme havia antecipado o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas

O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2015 | 09h32

RAMALLAH - O primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, apresentou nesta quarta-feira, 17, a demissão de seu governo de unidade em razão da crescente divisão entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, e a contestação da Autoridade Palestina (AP) que representou as discussões secretas entre o Hamas e Israel.

"Hamdallah apresentou sua demissão para (Mahmoud) Abbas, que ordenou a formação de um novo governo", afirmou Nimr Hamad, conselheiro político do presidente da AP. Ainda de acordo com o Hamad, caberá ao premiê demissionário iniciar o diálogo imediatamente com todas as formações e movimentos palestinos, incluindo o Hamas, para garantir o quanto antes um novo governo para os territórios palestinos.

A dissolução do governo de unidade, anunciada na terça-feira e confirmada hoje, coloca em evidência a incapacidade de atuação da coalizão formada em 2014 com o objetivo de encerrar anos de tensões que quase levaram à guerra civil em 2007 entre as duas principais facções palestinas: o partido secular Fatah e o movimento islamista Hamas.

Além disso, as perspectivas da criação de um Estado Palestino parece mais remota do que nunca com a anunciada reconciliação se desfazendo enquanto o distanciamento político entre Gaza, controlada pelo Hamas, e a Cisjordânia, liderada pela Fatah, se confirma.

            

"O Hamas rejeita qualquer alteração unilateral do governo sem o consentimento de todas as partes", disse à AFP Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, pouco antes da confirmação da renúncia do governo de unidade.

Apesar do rompimento da coalizão, um membro do alto escalão do movimento islamista, Ziad Zaza, deixou as portas abertas para uma nova negociação e pediu que Abbas substitua o atual governo, composto deliberadamente por tecnocratas apoiados pelos dois movimentos, por um governo mais político, "com (representação de) todos os movimentos nacionais e islâmicos para fazer frente à ocupação de Israel".

"Acredito que caminhamos em direção a um governo de políticos, não de tecnocratas", disse também um responsável da Organização para Libertação da Palestina (OLP) que pediu para não ser identificado. De acordo com a mesma fonte, as discussões internas mostraram a necessidade de um governo deste tipo.

Sobre a participação do Hamas nesse possível novo governo, Zazá indicou que o movimento estava disposto a participar, desde que haja interlocução com a comunidade internacional. O problema é que grande parte da comunidade internacional, incluindo os Estado Unidos, a União Europeia e Israel, classificam o Hamas como uma organização terrorista e se recusam a conversar com o grupo. / AFP e EFE

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