Premiê palestino critica EUA por cortarem diálogo com o Hamas

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniye, criticou os Estados Unidos neste domingo por se negarem a manter relações com o governo do Hamas, apontando que assim o povo é castigado por eleger a milícia. Na última sexta-feira, Washington anunciou que proibia seus diplomatas a manterem contato com funcionários de qualquer repartição palestina controlada pelo Hamas, cujo programa de governo inclui a destruição de Israel. O grupo islâmico controla todos os ministérios do novo gabinete. Contato restrito O porta-voz do departamento de Estado americano, Adam Ereli, disse que os diplomatas manteriam contato somente com o presidente Mahmud Abbas e legisladores do partido Fatah, que é a favor das negociações de paz. "Este governo foi eleito por eleições livres e honradas, segundo os princípios democráticos defendidos pelo governo americano", disse Haniye a um grupo de políticos que foram ao seu escritório para desejar sorte a seu governo. "Cremos que assim (os Estados Unidos) castigam ao povo palestino por sua eleição democrática e ao mesmo tempo aumentam o sofrimento da população", declarou o primeiro-ministro. O governo do Hamas As potências ocidentais e Israel rechaçaram o novo governo, que assumiu na semana passada, e ameaçam interromper a ajuda a Palestina a menos que o Hamas renuncie ao uso da violência. O Hamas nega o reconhecimento do estado judeu, Israel, e também as exigências internacionais de se desarmarem. Os primeiros dias do Hamas no poder foram uma combinação de pressão internacional e violência interior. Durante o fim de semana, quatro pessoas morreram e 36 ficaram feridas em distúrbios relacionados com o assassinato de um chefe militante vinculado ao Hamas. O pedido de calma e de desistência da exibição pública de armas feito por Haniye não foi respeitado por líderes de Gaza, o que gerou novos atos de violência entre facções políticas. O militante foi assassinado em uma explosão de um carro-bomba, e seus seguidores acusam o Fatah de ter sido o responsável pelo ato. Porém, um dirigente do Fatah, Samir Masharawi, figura de grande influência em Gaza, disse que as denúncias são "infundadas". "Parece que o Hamas e seus seguidores esquecem que estão no poder e que representam um governo palestino e, portanto, têm responsabilidades de defender as instituições de segurança", disse Masharawi, enquanto dezenas de guarda-costas disparavam para o alto.

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