Premiê paquistanês escapa ileso de tentativa de assassinato

Tiros teriam sido disparados contra comboio do chefe de governo a três dias das eleições presidenciais

Agências internacionais,

03 de setembro de 2008 | 07h21

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousaf Raza Gilani, sobreviveu a uma tentativa de assassinato, segundo autoridades do país. Tiros foram disparados contra o comboio em que o premiê viajava. O ataque ocorreu na cidade de Rawalpindi, perto da capital paquistanesa, apenas três dias antes das eleições presidenciais indiretas no país. Porém, um assessor do governo afirmou que Gilani não estaria no veículo no momento do atentado.   Veja também: Premiê paquistanês já foi preso pelo regime de Musharraf   O atentado aconteceu na principal estrada que leva ao aeroporto da capital Islamabad. Mais cedo, Gilani havia chegado ao aeroporto após uma viagem à cidade de Lahore, no leste do país. O premiê é um membro de alto escalão do partido da ex-premiê Benazir Bhutto, assassinada em um atentado suicida em 27 de dezembro quando fazia campanha para as eleições gerais do país.   Zahid Bashir, secretário de imprensa de Gillani, afirmou que, "na tentativa de assassinato", duas balas atingiram o carro no lado do motorista. A emissora estatal Pakistan Television difundiu imagens do Mercedes preto do primeiro-ministro com dois impactos evidentes de bala na janela do motorista. O vidro estava totalmente estilhaçado, mas não se desintegrou. Não ficou claro se o motorista chegou a ser atingido. "Vários tiros foram disparados... o primeiro-ministro está seguro", disse o porta-voz.   Mas o secretário de Interior Kamal Shah assegurou que o primeiro-ministro e seus assessores não estavam no veículo. De acordo com outros funcionários paquistaneses, no momento da aparente tentativa de assassinato, o motorista dirigia-se ao aeroporto para buscar Gilani.   Um porta-voz do Taleban paquistanês assumiu a responsabilidade pela ação afirmando que Gilani era o responsável por ofensivas contra militantes ocorridas recentemente no noroeste do país. "Continuaremos a realizar tais ataques contra autoridades e instalações do governo", afirmou Muslim Khan, o porta-voz.   O Taleban paquistanês e a Al-Qaeda, aliada daquele grupo, lançaram uma onda de atentados a bomba no último ano, incluindo líderes políticos. Centenas de pessoas foram mortas nas ações. O ex-presidente Pervez Musharraf, que renunciou no mês passado, quase morreu em dois ataques com bomba atribuídos à Al-Qaeda. Temendo por sua vida, o viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, que hoje lidera o partido da ex-primeira-ministra e que deve vencer as eleições presidenciais de sábado, mudou-se na semana passada de sua casa em Islamabad para a residência do premiê.   O episódio eleva a tensão no Paquistão em um momento no qual o novo governo civil do país promete combater extremistas islâmicos. A aparente tentativa de assassinato do chefe de governo ocorre apenas uma semana depois de um ataque ao carro no qual viajava Lynne Tracy, a principal diplomata dos Estados Unidos o instável noroeste do Paquistão. Não houve vítimas desse ataque.   Gilani retornava da cidade de Lahore, onde fazia campanha por Asif Zardari, o viúvo de Benazir, antes das eleições presidenciais deste sábado. A ex-premiê era a favorita para vencer as eleições gerais paquistanesas e se tornar primeira-ministra pela terceira vez quando foi assassinada em 27 de dezembro. As eleições foram adiadas para fevereiro. O partido de Bhutto, o Partido do Povo do Paquistão (PPP) venceu as eleições e formou uma coalizão com o partido PML-N, de outro ex-primeiro ministro, Nawaz Sharif. Gillani, um alto político do PPP se tornou primeiro-ministro.   A coalizão se desfez no mês passado. Também no mês passado, o ex-presidente Pervez Musharraf renunciou, sob ameaça de impeachment. O novo presidente deverá ser escolhido pelas duas câmaras do Parlamento e pelas assembléias provinciais neste fim de semana.   Gillani teve uma votação esmagadora no Parlamento para se tornar primeiro-ministro, derrotando Chaudhry Pervez Elahi, aliado de Musharraf, por 264 votos a 42 e fazendo desta a primeira vez em 12 anos que o PPP lidera o governo do Paquistão.   Matéria atualizada às 14h05.

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