Premiê quer que presos no Chade sejam julgados na França

François Fillon afirma que como cidadãos franceses, acusados de seqüestro devem responder por crime no país

Efe e Reuters,

07 de novembro de 2007 | 11h28

O primeiro-ministro da França, François Fillon, afirmou nesta quarta-feira, 7, que os membros da ONG Arca de Zoé presos no Chade cometeram crimes, mas que como são cidadãos franceses, deveriam ser julgados em seu país. Os seis membros da ONG ainda presos no Chade "aparentemente cometeram crimes" e "enganaram a todos", afirmou Fillon em entrevista à emissora de rádio Europe 1. Mas "são franceses e têm direito à proteção da França", acrescentou antes de reiterar a "preferência" de Paris para que "sejam julgados na França". O primeiro-ministro não quis comentar a intenção do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de levá-los para a França, como tinha anunciado na terça-feira, e apenas expressou o desejo de que as Justiças francesa e chadiana cheguem a um acordo para resolver o caso e permitir a repatriação dos acusados. Fillon comemorou que os três jornalistas franceses e as quatro aeromoças espanholas já tenham voltado para seus países graças à viagem-surpresa de Sarkozy no domingo a Ndjamena, capital do Chade. Seis membros do grupo francês de ajuda humanitária Arca de Zoé são acusados de seqüestro e fraude por tentarem tirar as crianças do país africano sem a autorização necessária. Três tripulantes espanhóis e um piloto belga são acusados de serem cúmplices.  Dentro da população chadiana, muitos ficaram indignados quando surgiram indícios de que os membros da Arca de Zoé esconderam os planos de levar as crianças, com idades de 1 a 10 anos, para a França quando as recolheram em vilarejos da fronteira do Sudão com o Chade. Ao mesmo tempo, os integrantes do grupo humanitário contaram a famílias européias que retirariam órfãos da região sudanesa de Darfur, atingida por um conflito armado, e que ofereceriam as crianças para serem adotadas. Mas, segundo autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU), 91 dessas crianças possuíam familiares vivos e, portanto, não eram órfãs.  Se forem considerados culpados, os membros da Arca de Zoé podem ser condenados a penas de cinco a 20 anos de trabalhos forçados.

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