Premiê rebelde promete respeitar estado de direito

Eleito na segunda-feira, Ghassam Hitto pede que militares deponham as armas e promete dialogar com regime de Assad

ISTAMBUL, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2013 | 02h09

O primeiro-ministro da Coalizão Nacional Síria (CNS), Ghassam Hitto, afirmou ontem que as regiões do norte do país em conflito há dois anos tomadas pelos rebeldes que tentam depor o ditador Bashar Assad devem atuar de acordo com o estado de direito. Segundo o líder, o governo que evitaria um vácuo político em uma eventual transição deverá começar a trabalhar dentro do território sírio.

O premiê opositor pediu ainda que os integrantes das forças sírias deponham as armas e prometeu dialogar com Assad. Na opinião de Hitto, a oposição deve assumir a cadeira da Síria nas Nações Unidas e na Liga Árabe, assim como controlar as representações estrangeiras do país em crise.

A CNS, principal entidade de representação dos rebeldes que tentam destituir o ditador Bashar Assad, escolheu o premiê, um tecnocrata educado nos EUA que tem cidadania americana, por 35 votos, dos 49 integrantes oficiais da entidade.

"O novo governo vai trabalhar com a premissa da soberania nacional e da unidade do território e do povo sírio, que só pode ser obtida com a contínua determinação de depor o regime de Bashar Assad e seus pilares", disse Hitto ao assumir o cargo.

O premiê opositor recebeu o apoio da Irmandade Muçulmana e do secretário-geral da coalizão, Mustafá Sabbagh, que tem fortes vínculos com os países árabes do Golfo Pérsico e, segundo fontes que estiveram na reunião, tem assumido um papel de grande influência no grupo opositor.

O domínio de islamistas na coalizão tem feito o Ocidente relutar na formação de um governo provisório para evitar um eventual vácuo de poder na Síria. Os EUA elogiaram a eleição do tecnocrata, pedindo que haja "unidade e coesão" entre os opositores sírios.

Segundo a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, as autoridades de Washington "conhecem e respeitam" Hitto. Ao ser questionada sobre se a cidadania americana do premiê opositor dificultaria sua relação com os sírios, a funcionária da chancelaria recusou-se a confirmar se ele é cidadão americano, citando "razões de privacidade".

Victoria afirmou que o sírio "passou cerca de 25 anos no Texas" e se formou na Universidade de Purdue, em Indiana. "Nós o conhecemos quando ele retornou para a Turquia e começou a liderar o apoio direto da oposição síria ao esforço humanitário."

O governo do Catar afirmou ontem que Hitto representará a Síria na cúpula da Liga Árabe prevista para ocorrer em Doha na próxima semana. / NYT, REUTERS e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.