Premiê renuncia e agrava crise política na Tunísia

Hamadi Jebali fracassa na formação de governo de coalizão e não obtém garantias para a realização de eleições

TÚNIS, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h08

O primeiro-ministro da Tunísia, Hamadi Jebali, renunciou ao cargo ontem após fracassar na formação de um gabinete provisório de tecnocratas, que deveria conduzir o país até a realização de novas eleições. "Prometi que se minha iniciativa não fosse bem-sucedida, renunciaria. E foi o que fiz", afirmou Jebali em entrevista coletiva, após se reunir com o presidente tunisiano, Moncef Marzouki.

Jebali havia proposto formar um novo governo apartidário para encerrar os protestos políticos causados pelo assassinato do líder da oposição secular Chokri Belaid, morto com quatro tiros quando deixava sua casa, em Túnis, há duas semanas.

Ninguém assumiu a autoria do assassinato, que aumentou a desconfiança dos grupos seculares tunisianos de que Jebali havia perdido o controle sobre os islamistas. O crime desencadeou uma nova onda de revoltas, dois anos após a deposição do presidente Zine al-Abidine Ben Ali, estopim da Primavera Árabe.

A proposta do primeiro-ministro de formar um novo governo foi bem aceita pela oposição, mas esbarrou em seu próprio partido, o Ennahda, de caráter islâmico, que rejeitou uma administração de tecnocratas e afirmou que a Tunísia precisa de um "governo de políticos".

Na segunda-feira, Rachid Ghannouchi, líder do Ennahda, fez uma contraproposta para a formação de um governo misto, de tecnocratas e políticos, e abriu as portas para que Jebali permanecesse como primeiro-ministro.

Jebali recusou e disse que jamais lideraria um novo governo sem que houvesse um cronograma aprovado para a realização de novas eleições e para a convocação de uma Assembleia Constituinte.

De acordo com ele, o "povo tunisiano está desiludido com a classe política". Ele descreveu sua decisão como "uma grande frustração", mas acrescentou que renuncia para "cumprir uma promessa". "Devemos restaurar a confiança da população. A falha de minha iniciativa (de formar um governo de coalizão) não significa uma falha da Tunísia ou da revolução."

A crise política vem prejudicando os esforços da Tunísia para se recuperar economicamente. Desde de 2011, início dos protestos que derrubaram a ditadura de Ben Ali, o país perdeu o equivalente a 5,2% de seu PIB. O impacto mais forte foi nos setores de turismo, mineração e pesca. / REUTERS, AP e NYT

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