Premiê tailandês alerta sobre recessão, manifestantes dão trégua

O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, alertou nesta terça-feira que a economia do país pode entrar em recessão, quando finalmente anunciou seu plano de governo em um discurso que foi adiado devido a protestos que interditaram o parlamento por dois dias. Ressaltando os problemas diante do instável governo de coalizão, o quarto primeiro-ministro do país em 2002 foi forçado a fazer o seu discurso no Ministério das Relações Exteriores. Abhisit disse, em discursando em cadeia de televisão ao vivo, que as profundas divisões políticas do país podem empurrar a Tailândia para "a recessão se não forem tomadas ações rapidamente para resolver a situação e recuperar a confiança entre investidores e turistas estrangeiros". "Esses conflitos são o ponto fraco do país, especialmente em tempos em que a economia mundial está entrando em sua pior crise em um século", disse a parlamentares reunidos em um salão normalmente usado para recepções diplomáticas. Durante seu pronunciamento, centenas de manifestantes com bandeiras e camisas vermelhas, simpatizantes do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi retirado do governo por um golpe de Estado em 2006 e vive em exílio, bloquearam os portões do ministérios para exigir que Abhisit realize novas eleições. "Esse encontro é ilegal", gritou um líder pró-Thaksin da Aliança Democrática Contra a Ditadura, traduzindo a visão de cerca de 100 parlamentares de oposição que boicotaram o evento. Após um breve confronto com a polícia, os manifestantes abandonaram o protesto e voltaram ao parlamento. Abhisit e outros 300 parlamentares deixaram então o local em um comboio escoltado pela polícia. Ministros do governo defendem que, de acordo com a Constituição, o discurso não precisa ser feito no parlamento. Buranaj Smutharaks, porta-voz do Partido Democrático de Abhisit, disse que havia um número suficiente de parlamentares presente no encontro. Buranaj afirmou que a principal preocupação de Abhisit era evitar a repetição dos violentos confrontos de outubro nas proximidades do parlamento. Na ocasião, militantes de camisas amarelas da Aliança do Povo para a Democracia entraram em confronto com a polícia, em protesto contra o governo pró-Thaksin no poder à época. Duas pessoas morreram e centenas ficaram feridas naqueles confrontos, os piores dos três anos de crise política do país.

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