Premiê tailandês rejeita ultimato de manifestantes

Dezenas de milhares de simpatizantes de ex-premiê derrubado por golpe querem novas eleições

BBC

15 de março de 2010 | 08h33

 

 

BANGCOC - O primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, apareceu em cadeia nacional de TV nesta segunda-feira, 15, para rejeitar os pedidos de renúncia e de convocação de novas eleições. As reivindicações foram feitas por manifestantes, em sua maioria partidários do ex-premiê Thaksin Shinawatra, que tomaram as ruas de Bangcoc no fim de semana.

"Os manifestantes exigiram que eu dissolvesse o Parlamento antes do meio-dia (2 horas em Brasília), mas os partidos da coalizão concordaram que a exigência não pode ser cumprida", disse o premiê. "As eleições precisam ser realizadas sob regras comuns e genuína calma. Precisamos ouvir as vozes das outras pessoas, não apenas as dos manifestantes", completou. 

Enquanto o premiê falava na TV, dezenas de milhares de manifestantes estavam reunidos em frente ao quartel militar onde Abhisit está abrigado, por precaução, desde o início dos protestos. As manifestações transcorreram sem incidentes, mas dois soldados ficaram feridos quando granadas explodiram dentro de uma outra base militar. Segundo um porta-voz do Exército, não se sabe quem teria jogado as granadas.

Os manifestantes prometeram manter os protestos, os maiores dos últimos anos, até Abhisit deixar o poder. Thaksin foi afastado do cargo por um golpe militar em 2006 e condenado por abuso de poder.

O governo mobilizou cerca de 50 mil policiais e militares para reforçar a segurança nos quartéis da capital, Bangcoc. No fim de semana, os manifestantes, conhecidos como "camisas vermelha", haviam dado prazo até esta segunda-feira para que Abhisit renunciasse ao cargo.

Cerca de cem mil pessoas participaram dos protestos na capital, no domingo, que culminaram com um discurso, em vídeo, em que o ex-premiê Thaksin dizia estar trazendo a democracia para a Tailândia. Thaksin se auto-exilou depois de ter sido condenado a dois anos de prisão por abuso de poder, em um julgamento ao qual não compareceu. Seus simpatizantes afirmam que o caso teve motivações políticas e que o atual governo foi instalado ilegalmente.

 

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