Premiê turco compara violência na China a 'genocídio'

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, comparou hoje a violência étnica na província chinesa de Xinjiang a um genocídio, aumentando as críticas a Pequim, após a morte de 184 pessoas no fim de semana passado nos conflitos entre chineses han, grupo étnico majoritário da China, e turcos uigures de Xinjiang. Hoje a agência de notícias Xinhua, do governo chinês, informou que a maioria dos mortos, 137 pessoas, eram chineses da etnia han, que formam 90% da população. "Esses incidentes na China são como um genocídio", disse Erdogan.

AE-AP, Agencia Estado

10 de julho de 2009 | 20h09

As fortes palavras do líder turco foram ditas em meio a manifestações diárias na Turquia em protesto contra os choques que aconteceram na cidade chinesa de Urumqi, capital de Xinjiang. Centenas de turcos rezaram hoje pelas vítimas da violência e queimaram bandeiras da China em Istambul e em Ancara.

"Nós pedimos ao governo chinês que não permaneça um espectador desses incidentes. Claramente existe selvageria neles", disse Erdogan. O governo chinês já impôs toque de recolher e despachou milhares de soldados para Urumqi a fim de evitar uma repetição dos confrontos do domingo e segunda-feira.

A própria Turquia é extremamente sensível ao termo "genocídio". A Armênia afirma que 1,5 milhão de seus cidadãos foram mortos pelos turcos otomanos na época da Primeira Guerra Mundial e alguns anos depois (1915-1923). A Turquia nega com veemência as acusações, ao dizer que os números foram inflados e que os armênios morreram na guerra civil que ocorreu durante a desintegração do Império Otomano.

Erdogan, que chefia um partido de raízes islâmicas, tem sofrido pressões de grupos de turcos uigures e da oposição política turca para falar sobre os uigures, assim como defendeu os palestinos durante a ofensiva militar de Israel contra a Faixa de Gaza, em janeiro deste ano. Erdogan ressaltou, no entanto, que a Turquia respeita a integridade territorial da China e não tem a intenção de interferir nos assuntos internos do país.

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