Premiê turco discute protestos com partido

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, convidou a liderança do seu partido a discutir os protestos contra o governo que entraram neste sábado no nono dia. Com milhares de pessoas ainda ocupando a praça Taksim, no centro de Istambul, Erdogan se reuniu com importantes autoridades do Partido da Justiça e Desenvolvimento. Ele disse que as manifestações devem cessar imediatamente.

ASSOCIATED PRESS, Agência Estado

08 de junho de 2013 | 16h25

Mais cedo, o líder da oposição, Devlet Bahceli, pediu a convocação de eleições antecipadas. "A postura do primeiro-ministro e o tumulto aprofundaram a crise", afirmou Bahceli a repórteres. "O tempo do primeiro-ministro está se esgotando. Acreditamos que ele tem que renovar o seu mandato."

Mas o porta-voz do partido de Erdogan, Huseyin Cilik, descartou tal possibilidade, dizendo que os rumores de que as eleições gerais de 2015 seriam adiadas eram falsos.

Os protestos começaram com a ocupação de um parque na praça Taksim para impedir um projeto de renovação que o substituiria por uma réplica dos quartéis otomanos e um shopping center. A ideia do centro de compras parece já ter sido abandonada, com Erdogan dizendo recentemente que no lugar serão construídos um teatro, uma casa de ópera e, possivelmente, um museu.

Mas uma intervenção violenta por parte da polícia para dispersar os manifestantes em 31 de maio provocou indignação e as demonstrações se espalharam para dezenas de cidades em toda a Turquia. Nos últimos nove dias de manifestações e confrontos com a polícia, três pessoas foram mortas - dois protestantes e um policial - e milhares ficaram feridas.

Desde o início da manhã de hoje, manifestantes começaram a chegar na praça Taksim com alimentos e cobertores para um fim de semana de protestos, se juntando ao crescente número de barracas nas proximidades do Gezi. Novas demonstrações também devem ocorrer em Ancara, capital do país.

Durante encontro com membros do seu partido, Erdogan afirmou que seu governo estava aberto a "pedidos democráticos", mas insistiu que os protestos estavam "na fronteira com o vandalismo".

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