Premiê turco diz que há terroristas nos protestos

Recep Erdogan rejeita pressão internacional, diz que Ocidente não pode lhe dar 'lição de moral' e exige o 'fim imediato' das manifestações na Turquia

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2013 | 02h05

Depois de 11 dias de ameaças contra as manifestações antigoverno, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, voltou a criticar ontem os manifestantes. Ele disse que há "terroristas" infiltrados nos protestos e criticou "a campanha de mentiras" na internet contra o governo. Sobrou até para o Ocidente, que, segundo ele, não pode lhe "dar lições". "Ninguém, somente Alá, pode deter o avanço da Turquia", afirmou. "Esses protestos devem acabar imediatamente."

As declarações foram feitas antes de Erdogan se reunir com o comissário europeu Stefan Füle, responsável por avaliar a candidatura da Turquia a membro da União Europeia. O primeiro-ministro também voltou a criticar as redes sociais, que estariam sendo usadas para uma "campanha de desinformação".

"Eu sei o que quer dizer a ecologia", disse, referindo-se aos protestos contra a demolição do Parque Gezi, situado ao lado da Praça Taksim, no centro de Istambul. "Ser um ecologista não quer dizer matar as pessoas, se comportar como um vândalo e destruir a propriedade pública", afirmou o premiê turco, colocando a culpa das mortes - três, até o momento - nos ativistas.

Repressão. Erdogan voltou a afirmar que existem extremistas e pessoas envolvidas com o terrorismo entre os manifestantes turcos. Além disso, rejeitou as pressões internacionais para reabrir o diálogo com a população.

O primeiro-ministro defendeu a repressão da polícia com gás lacrimogêneo e afirmou que o Ocidente não pode lhe dar lições de moral. "Eventos similares ocorreram em outros países, na Grécia, na França, na Alemanha. São todos países da União Europeia", disse.

O clima pesado causou apreensão na Turquia. Ontem, a reportagem do Estado, que passou a semana em Istambul, recebeu telefonemas e mensagens de texto denunciando rumores de que a polícia atacaria a praça à noite. Até a meia-noite, horário local, a ordem de invasão não havia sido dada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.