Premiê turco lança candidatura à presidência do país

O partido governista da Turquia, o AKP, anunciou nesta terça-feira que o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan será o candidato da legenda à presidência no primeiro pleito que vai eleger diretamente o presidente do país, em agosto. Se eleito, a medida pode manter Erdogan, que tem dominado a política turca há mais de uma década, no comando da Turquia por pelo menos mais cinco anos.

Agência Estado

01 de julho de 2014 | 11h41

Erdogan, de 60 anos, está no poder desde 2003, mas é impedido por regras internas do partido de concorrer ao cargo de primeiro-ministro novamente. Há tempos comenta-se que o líder, que comandou a ascensão econômica turca, mas que tem provocado indignação por suas atitudes cada vez mais autoritárias, tem ambições presidenciais.

Na Turquia, a presidência é um posto basicamente simbólico, mas Erdogan diz ser favorável a um sistema que dê mais poderes ao presidente.

Ele não conseguiu reunir apoio suficiente para realizar mudanças constitucionais que concedessem mais poderes ao presidente, mas sugeriu que, se eleito, usará totalmente seus poderes presidenciais, incluindo o direito de convocar reuniões da gabinete, para poder governar a Turquia com tanta autoridade quanto tem como premiê.

Em discurso feito logo após sua indicação, Erdogan disse que, se eleito, vai continuar a expandir a economia turca, aumentar a democracia e avançar na proposta de colocar a Turquia na União Europeia. Ele também prometeu avançar nos esforços de paz para encerrar os 30 anos de conflito com o rebeldes curdos.

"Eu serei o presidente de todos, independentemente se tiverem votado em mim ou não", disse Erdogan.

A candidatura de Erdogan foi anunciada por Mehmet Ali Sahin, vice-presidente do partido. Segundo ele, o atual premiê foi nomeado por unanimidade pelos integrantes do partido que atuam no Parlamento.

O líder turco continua popular no país, apesar das acusações de corrupção que, segundo ele, foram orquestradas por seguidores de um movimento islâmico moderado. O atual presidente, Abdullah Gul, cujo mandato termina em 28 de agosto, disse que não vai tentar a reeleição.

Dois dos principais partidos de oposição turcos, o secular Partido do Povo Republicano e o Partido do Movimento Nacionalista, de direita, apoiam Ekmeleddin Ihsanoglu, ex-presidente da Organização para Cooperação Islâmica, na corrida presidencial. Um partido que defende os curdos e o direito de outras minorias indicou na segunda-feira o político curdo Selahattin Demirtas como seu candidato.

Trata-se da primeira vez que os turcos votarão para escolher de forma direta seu presidente. A eleição, em dois turnos, está marcada para os dias 10 de 24 de agosto. Fonte: Associated Press.

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