REUTERS/Umit Bektas
REUTERS/Umit Bektas

Premiê turco nega existência de ‘espírito de vingança’ contra autores da tentativa de golpe

Binali Yildirim afirmou que respeita o Estado de direito e que hoje é preciso ‘unidade’ no país

O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2016 | 08h38

ANCARA - O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, negou nesta terça-feira, 19, a existência de um "espírito de vingança" contra os autores do frustrado golpe de Estado na sexta-feira, alegando respeitar o Estado de direito.

"Ninguém pode ter um espírito de vingança (…). Uma coisa assim é absolutamente inaceitável no Estado de direito", declarou Yildirim em Ancara. "Hoje precisamos de unidade", completou ele, após uma reunião com o líder do principal partido de oposição.

O premiê turco fez as declarações depois da divulgação de imagens que parecem mostrar pessoas que não aceitaram a tentativa de golpe agredindo soldados já rendidos.

"Transmiti minha preocupação ao primeiro-ministro. Sobretudo acredito que os atos violentos contra soldados que apenas obedeceram ordens são injustos", declarou Kemal Kiliçdaroglu, líder do Partido Republicano do Povo (CHP), principal partido opositor.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan afirmou na segunda-feira que aceitaria a volta da pena de morte no país se o Parlamento turco aprovasse a medida.

Milhares de militares e juízes foram detidos após a tentativa de golpe, entre eles 118 generais e almirantes, segundo a agência de notícias estatal pró-governo Anadolu.

Um tribunal de Ancara determinou a prisão preventiva de 26 generais do Exército, acusados de participação na tentativa de golpe contra o presidente Erdogan, indicou a agência de notícias. Entre os detidos está o general Akin Ozturk, que de acordo com parte da imprensa teria sido o cérebro da tentativa de golpe. Ele nega as acusações.

Os militares foram detidos após uma audiência que terminou na segunda-feira à noite, segundo a Anadolu. Depois foram enviados para a prisão à espera do julgamento, que ainda não tem data marcada. Eles são acusados, entre outros crimes, de tentativa de derrubar a ordem constitucional, liderar um golpe armado e assassinar o presidente.

Em um texto apresentado ao tribunal, o general Ozturk negou ter liderado a tentativa de golpe. "Não sou a pessoa que planejou ou liderou o golpe. Não sei quem o fez", afirmou ele, de acordo com a imprensa local.

Após a tentativa de golpe na sexta-feira, o governo turco intensificou os expurgos com a demissão de milhares de policiais e a detenção de militares e membros da magistratura, apesar da promessa de respeitar a lei para tranquilizar os países aliados. /AFP

Veja abaixo: Golpe na Turquia: tiros são ouvidos perto da Ponte do Bósforo, em Istambul

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