Sedat Suna/EFE
Sedat Suna/EFE

Premiê turco reúne multidão de militantes em Istambul e isola ativistas

Confrontos tiveram início após a rede Solidariedade com Taksim anunciar uma marcha em direção ao Parque Gezi

Agência Estado

16 Junho 2013 | 13h13

Um dia após mandar retirar à força manifestantes que ocupavam um parque no centro de Istambul, o premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reuniu neste domingo (16) centenas de milhares de militantes de seu partido para defender a repressão aos "terroristas" que protestam. No centro da cidade, a polícia voltou a disparar com canhões d’água e gás lacrimogêneo contra milhares de pessoas que tentavam reocupar a Praça Taksim.

Em um discurso exaltado à multidão, Erdogan criticou a imprensa estrangeira e rejeitou a pecha de "ditador". O primeiro-ministro garantiu que a polícia continuará a conter à força os manifestantes. "Vamos identificar um a um aqueles que aterrorizaram as ruas", prometeu.

"(Os protestos) não são nada mais do que a tentativa de uma minoria de dominar a maioria. Não poderíamos ter permitido isso e não vamos permitir", afirmou Erdogan, em meio a um mar de bandeiras do seu partido, o islâmico moderado Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco). O governador de Istambul, Huseyin Avni Mutlu, disse que turcos poderão "exercer seu direito democrático (de protestar), quando o ambiente ficar estável".

Duas uniões sindicais convocaram greves gerais para segunda-feira (17) contra a remoção dos manifestantes do Parque Gezi, ao lado da Praça Taksim. Eles ocuparam o lugar – uma das últimas áreas verdes do centro de Istambul – por 18 dias para impedir que ele fosse demolido, abrindo espaço a um empreendimento comercial.

A repressão à ocupação em Gezi desatou uma onda de protestos em toda a Turquia, mobilizando diferentes grupos em volta de uma causa comum: a oposição ao que eles consideram o crescente autoritarismo do governo Erdogan.

Com disparos de gás lacrimogêneo e jatos de água, a polícia cumpriu no sábado (15) seu objetivo tático de expulsar os manifestantes de Gezi, isolando em seguida a área. Mas milhares de turcos continuaram a enfrentar a polícia para alcançar a região da Praça Taksim. Protestos também voltaram a irromper em outras cidades turcas, como a capital, Ancara.

A agência de notícias turca Dogan afirmou que dezenas de manifestantes foram presos ontem em Istambul e 70, em Ancara. Em três semanas de conflitos, mais de 5 mil turcos ficaram feridos e 5 morreram. Manifestantes armados com pedras reagiram ontem erguendo barreiras em ruas do centro de Istambul – um sinal de que a operação policial em Gezi ampliou o ressentimento entre os grupos que protestam. / AP

Mais conteúdo sobre:
Turquiaprotestos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.