Premier chinês abre assembléia e promete justiça social

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse durante a abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo (CNP), nesta segunda-feira, 5, que o crescimento do PIB chinês se desacelerará em 2007. Ainda assim, ele se comprometeu a trabalhar por uma melhora no nível de vida dos camponeses chineses e para promover o desenvolvimento sustentável.Diante de cerca de três mil delegados, Wen afirmou que o crescimento chinês em 2007 será de 8%, contra 10,7% em 2006.Em seu discurso, o premier prometeu melhoras nos regulamentos macroeconômicos para manter os investimentos e o crédito sob controle.Wen também prometeu utilizar o orçamento de 2007 (que será aprovado pelo CNP) para fazer os maiores investimentos voltados para resolver problemas que afetam a vida cotidiana da população, principalmente nas áreas rurais.Para atender às necessidades dessa população, Pequim destinará US$ 513 milhões para o fornecimento de água potável a cerca de 20 milhões de pessoas e US$ 220 milhões a projetos para a construção de estradas em áreas rurais. As taxas estudantis impostas aos moradores do interior do país também serão eliminadas.Estima-se que os gastos em agricultura, educação e assistência médica destinados a essas regiões cresçam 15% em 2007, atingindo um montante de US$ 51 bilhões.Além disso, o orçamento ampliará em 42% a verba total destinada à educação, em 87% os investimentos em assistência médica e em 14% a verba voltada à segurança social."Devemos colocar as pessoas em primeiro lugar, e assegurar que todos tenham acesso aos frutos das reformas e do desenvolvimento", disse o premier.Os números oficiais indicam que a renda per capita dos camponeses chineses é um terço da dos habitantes das cidades.A China possui atualmente mais de 1,3 bilhão de habitantes, 900 milhões deles camponeses. O governo de Pequim pretende construir um "novo campo socialista" no Plano Qüinqüenal 2006-2010.Meio ambienteWen tocou ainda em outro assunto sensível para a china, a conservação do meio ambiente. Apesar da falta de avanços no setor, o líder chinês prometeu diminuir em 20% o consumo de energia por unidade do PIB.Entre as medidas para melhorar a qualidade desse consumo - que coloca o ar e os rios chineses entre os mais poluídos do planeta -, o premier pediu a bancos e outras instituições financeiras que limitem o financiamento para indústrias altamente poluentes. Além disso, ele prometeu fechar pequenas termoelétricas movidas a carvão e "eliminar fundições de minério de ferro".Além de Wen, o secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh), Hu Jintao; o presidente do CNP, Wu Banguo; o presidente do Conselho Consultivo Político do Povo Chinês (CCPPC), Jia Qinglin; o vice-presidente, Zeng Qinghong, e os vice-primeiro-ministros, Wu Yi e Huan Ju, ocuparam nesta segunda-feira o palco do Grande Palácio do Povo.Esta será a última sessão antes da conclusão dos cinco anos de mandato e da renovação de membros do Executivo chinês - entre eles Wen e Hu. A escolha é esperada para o próximo Congresso do Partido Comunista da China, que será proposto antes do fim do ano pela atual liderança máxima, da qual Wen faz parte.Avanços e desafiosTambém foram enumeradas as principais conquistas de 2006, desde os "notáveis sucessos da gestão diplomática" ao avanço na modernização da defesa nacional e do Exército ou o "apoio às empresas chinesas para investir no exterior".Mas o primeiro-ministro não escondeu que "numerosos problemas sérios que afetam os interesses do povo não foram resolvidos".Embora o rápido crescimento da economia chinesa tenha permitido a quase 200 milhões de pessoas sair da pobreza nas últimas décadas, o desequilíbrio no desenvolvimento ainda deixa centenas de milhões de habitantes nesta situação, principalmente pelos elevados custos da educação, saúde e moradia, disse Wen.Além de votar o orçamento nacional, nos próximos dez dias, os delegados analisarão e aprovarão dois projetos de lei importantes: um para igualar a proteção da propriedade pública e privada e outro para unificar os impostos para empresas nacionais e estrangeiras em 25%.Texto ampliado às 16h55

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