Premier de Montenegro acusa Sérvia de interferência

O primeiro-ministro de Montenegro, Milo Djukanovic, acusou a Sérvia de interferir em assuntos internos e encorajar unionistas a rejeitar a independência da república, aprovada em um referendo esta semana, segundo comentários publicados nesta sexta-feira."Tudo o que eles (unionistas) fazem aqui é resultado de ordens dos governo sérvio", acusou Djukanovic, citado pelo jornal Vijesti. Djukanovic disse que não podem haver mais duvidas sobre o futuro do novo Estado. "Montenegro escolheu, e seguirá seu caminho sozinha".Ele acusou a Sérvia de continuar "suas práticas brutais e destrutivas como na época do autocrata Slobodan Milosevic, que fomentou a sangrenta de separação da Iugoslávia". "Essas políticas interferem em assuntos de Estados vizinhos", acrescentou.O presidente sérvio Boris Tadic, que reconheceu o resultado do plebiscito, planeja visitar Montenegro no sábado, segundo informações da agência de notícias Beta. Tadic não confirmou a informação. Sérvia e Montenegro foram as últimas repúblicas da antiga Iugoslávia a permanecerem unidas depois do fim da federação em um série de guerras na década de 90. ReferendoEm um referendo votado no domingo sob as regras da União Européia (UE), a pequena república de 620 mil pessoas decidiu separar-se da Sérvia e tornar-se um Estado soberano. Após o referendo, a tensão continuou dividindo os montenegrinos sobre a questão da independência. Resultados preliminares mostraram que o voto a favor da independência ganhou com uma margem de 55,5%, ou 2.090 votos, apenas meio ponto acima dos 55% necessários para a aprovação segundo normas da UE. A oposição pró-Sérvia já realizou mais de 240 queixas formais contra a votação, alegando irregularidades e exigindo a anulação de dezenas de seções eleitorais. Caso as queixas sejam aceitas, uma nova votação poderá ser convocada. A Comissão do Referendo já rejeitou quase metade das queixas. O Órgão tem até 6 de junho para confirmar os resultado. No próprio Comitê há divisões entre os membros, mas o chefe dos trabalhos, Frantisek Lipka, foi apontado pela UE para evitar manipulação.

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