Premier indiano aperta mão de Musharraf

Em um gesto conciliador, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, apertou hoje a mão do primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, após renovar o apelo por um diálogo para resolver a disputa de fronteira entre os dois países rivais. O líder indiano polidamente aceitou o cumprimento - que Musharraf chamou de "mão da amizade" - em meio a aplausos, logo após o discurso do presidente paquistanês na abertura da reunião da Associação do Sul da Ásia para Cooperação Bilateral em Katmandu, Nepal. "Apertei sua mão na presença de todos", disse Vajpayee. "Agora, presidente Musharraf, prossiga o gesto não permitindo qualquer atividade no Paquistão ou nos territórios sob seu controle que levem os terroristas a cometer atos de violência contra a Índia". Vajpayee se recusou a participar de um encontro paralelo à reunião regional para discutir a diminuição das tensões, ampliadas após o atentado suicida do dia 13 contra o Parlamento indiano, que deixou 14 mortos. A Índia exige que o Paquistão, ao qual acusa de apoiar os separatistas da região da Caxemira, contenha o terrorismo antes de iniciar o diálogo. Contudo, em um aparente progresso diplomático, os chanceleres da Índia, Jaswant Singh, e do Paquistão, Abdul Sattar, se reuniram hoje informalmente por 45 minutos no hotel em que estão hospedados em Katmandu, revelaram fontes diplomáticas. O teor do encontro não foi revelado. Em seu discursos na reunião regional, Vajpayee declarou que a Índia necessita ver mais ações do Paquistão para conter os separatistas que ela acusa de fomentar a revolta contra o governo indiano em Jammu-Caxemira, seu único Estado de maioria islâmica. "O presidente (Musharraf) fez o gesto. Esperamos que ele seja respondido", disse o porta-voz da chancelaria paquistanesa Aziz Ahmed Khan, à imprensa em Islamabad. No entanto, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Índia, Nirupama Rao, qualificou o gesto de "teatro para a televisão." Durante a madrugada de hoje, a polícia paquistanesa deteve dezenas de militantes islâmicos em todo o Paquistão. O Paquistão prendeu centenas de ativistas islâmicos desde o dia 13, entre eles dois líderes extremistas, mas o governo de Islamabad nega que esteja prendendo os militantes por pressão de Nova Délhi. A Índia e o Paquistão concentraram suas tropas na região da Caxemira, na maior movimentação militar entre os dois países há 15 anos. As duas potências nucleares já travaram três guerras - duas pela Caxemira - desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947. Após uma noite relativamente calma, tropas indianas e paquistanesas trocaram disparos de artilharia hoje, ferindo pelo menos três civis, incluindo uma criança indiana e um idoso paquistanês. Em sua chegada à Índia, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, expressou sua "total solidariedade" com o governo indiano em sua revolta pelos ataques terroristas. Amanhã, antes de partir para o Paquistão, Blair se encontrará com Vajpayee em Nova Délhi.

Agencia Estado,

05 Janeiro 2002 | 14h54

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