Premier iraquiano enfrenta revolta dentro do governo

O premier Nouri al-Maliki enfrenta uma revolta dentro de seu governo dividido, já que dois políticos sunitas de alto escalão se uniram aos parlamentares xiitas e membros do gabinete, na crítica de suas políticas. O vice-presidente Tariq al-Hashemi afirmou querer ver o fim do governo de al-Maliki e outro "entendimento" para uma nova coalizão ser colocada no lugar, com garantias que irão assegurar a tomada de decisões coletiva. "Há uma clara deterioração na segurança e tudo caminha na direção errada", disse o líder sunita à Associated Press. "Esta situação deve mudar assim que possível. Se continuar, o país irá mergulhar em uma guerra civil".O número 2 de al-Maliki, vice-premier Salam Zikam Ali al-Zubaie, também sunita, argumentou que o governo do presidente falhou em conter a expansão da violência sectária.Um boicote foi realizado por 30 parlamentares e cinco ministros do gabinete, leais ao clérigo xiita anti-americano Muqtada al-Sadr, em razão da reunião de al-Maliki com o presidente George W. Bush na Jordânia, na quinta-feira. Os sadristas disseram que o encontro se caracterizava em uma afronta aos iraquianos. Al-Maliki apelou aos sadristas que encerrem seu boicote, e os reprovou por uma ação que, segundo ele, viola o compromisso esperado pelos parceiros de seu governo de coalizão, existente há seis meses. "Espero que eles reconsiderem suas decisões pois isso não constitui um desenvolvimento positivo no processo político", disse al-Maliki em coletiva de imprensa, ao retornar a Bagdá. "Parceria política significa compromisso".Ao mesmo tempo, em entrevista com a rede de televisão "ABC", al-Maliki confidencialmente afirmou que suas forças devem estar prontas para assumir a segurança do país em junho, um cronograma cerca de doze meses mais curto que o programado pelos comandantes militares dos EUA. "Nós e o presidente (Bush) concordaram em manter as mesmas forças (dos EUA) no país, mas para treinar as forças iraquianas", de acrodo com entrevista que irá ao ar nesta quinta-feira."Nós não conversamos sobre cronogramas em agenda para a retirada, mas agora nos focamos no treinamento das forças iraquianas, e então iremos falar sobre a redução dos multinacionais", afirmou, em alusão à força multinacional de 150 mil homens comandada pelos EUA.Ele afirmou não ter objeções a um cronograma de retirada das tropas dos EUA, mas alertou que tal ação deve ocorrer quando as forças iraquianas estiverem prontas para assumir sozinhas.Na quinta-feira, Bush disse que uma rápida entrega da responsabilidade de segurança às forças iraquianas, e garantiu a al-Maliki que Washington não quer uma "bela saída" de uma guerra que entra em seu quarto ano. "Então ficaremos no Iraque até que o trabalho esteja completo", disse BushSaleh al-Ojeili, parlamentar sadrista, afirmou que apenas um cronograma para a retirada das tropas estrangeiras do Iraque irá persuadi-lo, e aos seus colegas sadristas, em retomar a participação no parlamento e no governo. "É o mínimo que podemos pedir", disse al-Ojeili.Uma comissão especial sobre a política dos EUA no Iraque irá pedir por uma retirada de parte das tropas americanas, mas não irá sugerir um cronograma para a retirada de todas as forças dos EUA, segundo afirmou um funcionário do governo próximo do grupo, nesta quinta-feira.O relatório do grupo de estudos do Iraque, a ser divulgado na próxima quarta-feira, irá pressionar por uma maior mudança na responsabilidade da segurança do país, das tropas americanas às iraquianas. O documento também irá mostrar que a presença das tropas dos EUA é parte do problema no Iraque, segundo o funcionário, que pediu anonimato pois as recomendações do grupo ainda não vieram a público.Na quinta-feira, o Exército dos EUA relatou a morte de dois soldados, e funcionários iraquianos informaram que 47 pessoas morreram, incluindo 37 corpos encontrados em diversas partes do país.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2006 | 08h27

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