Premier iraquiano pede a xiitas que encerrem boicote

O premier iraquiano Nouri al-Maliki pediu, nesta quinta-feira, aos parlamentares xiitas que encerrem seu boicote ao governo, iniciado em protesto ao encontro que ele teve com o presidente dos EUA George W. Bush. "Eu espero que eles reconsiderem sua decisão pois ela não constitui num desenvolvimento positivo do processo político", afirmou al-Maliki em coletiva de imprensa, logo após seu retorno a Bagdá, depois de uma visita à Jordânia, onde se encontrou com Bush e com o rei da Jordânia, Abdullah II. Os 30 parlamentares e cinco ministros do gabinete leais ao poderoso clérigo anti-americano Muqtada al-Sadr, um aliado-chave de al-Maliki, haviam ameaçado sair do governo e do parlamento se o premier realizasse o encontro, que tinha como intenção conter a crescente violência no Iraque, e pavimentar o caminho para uma redução das tropas americanas. Mas por reduzirem seu protesto a uma suspensão, deixaram o caminho aberto para retornar aos seus cargos. Um parlamentar sadrista, Baha al-Aaraji, disse que os aliados de al-Sadr iriam encerrar o boicote quando houver uma melhora no treinamento das forças de segurança iraquianas e quando o governo acabar com os cortes crônicos de serviços básicos, como eletricidade e combustível para muitos iraquianos. Os sadristas foram essenciais para a eleição de al-Maliki no início do ano, o que é refletido em sua relutância em aceitar as repetidas demandas americanas de acabar com o Exército Mahdi, uma milícia xiita comandada por al-Sadr e acusada de ser autora de boa parte da violência sectária que vem destroçando o Iraque. "Parceria política significa compromisso", disse al-Maliki, se dirigindo aos seus aliados sadristas, e os aconselhou a usar canais constitucionais para resolver suas diferenças. Al-Maliki prometeu novamente agir contra grupos armados ilegais, mas não mencionou o Exército Mahdi, nem citou ações específicas. Ele disse ter garantido novamente a Bush sobre "a determinação do governo de impor a autoridade do governo, trazer estabilidade e limitar a posse de armas ao governo". O premier se disse ainda determinado a garantir que as forças de segurança do Iraque trem as armas e o treinamento necessário para um melhor desempenho no campo de batalha. Um dos principais objetivos da coalizão liderada pelos EUA é treinar um número suficiente de soldados e policiais iraquianos, que irão assumir as responsabilidades de segurança, especialmente em áreas violentas com o oeste do Iraque, onde a Al Qaeda é mais poderosa, e em Bagdá, onde os conflitos sectários seguem em ritmo crescente.

Agencia Estado,

30 Novembro 2006 | 15h01

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