Premier iraquiano pede fim de disputas em seu governo

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, apelou neste domingo, 26, às facções sectárias rivais em seu governo que acabem com as disputas que, segundo ele, são as responsáveis pela crise e a violência dos últimos dias no país. Dirigindo-se a todos os líderes políticos, o primeiro-ministro xiita disse em uma entrevista coletiva: "Os únicos que podem impedir uma deterioração e a violência são os políticos." Mas ele acrescentou que isso só ocorrerá "apenas quando eles chegarem a um acordo e todos perceberem que não há vencedores nem perdedores nesta batalha". "Sejamos honestos, a situação da segurança é um reflexo do desacordo político", disse, cercado por líderes sunitas e curdos, assim como seus companheiros xiitas. Granadas de morteiro foram lançadas neste domingo contra um posto militar dos EUA no bairro de Baladiyat, uma área predominantemente xiita no leste de Bagdá, provocando um incêndio, mas sem deixar vítimas. O novo ataque foi lançado apesar do toque de recolher de 24 horas que manteve cerca de 7 milhões de pessoas trancadas em suas casas desde quinta-feira à noite, depois que uma série de atentados deixou 215 mortos no bairro xiita de Cidade Sadr. O levantamento do toque de recolher e a reabertura do aeroporto de Bagdá, na segunda-feira, 27, permitirão que o presidente iraquiano, o curdo Jalal Talabani, realize sua adiada visita ao Irã. O encontro de Talabani com o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, que os EUA acusam de apoiar os militantes xiitas no Iraque, é parte dos esforços de envolver os vizinhos do Iraque na prevenção de uma guerra civil. Proposta Ahmadinejad propôs, ainda neste domingo, ajudar os EUA a acalmar a situação no Iraque se Washington mudar o que descreveu como uma política de intimidação contra Teerã. Ele disse que os EUA foram ao Iraque para depor Saddam Hussein e encontrar armas de destruição em massa, mas para os iranianos estava claro que eles iam controlar a região e seu petróleo. Acrescentou, também, que agora os EUA e a Grã-Bretanha estão pagando o preço da instabilidade e da violência no Iraque. Violência Neste domingo, foram encontrados 25 corpos na cidade de Baquba, norte de Bagdá, e outros 11 na cidade de Haqlaniya, oeste da capital. Todos apresentavam sinais de tortura e foram mortos a tiros. Eles aparentemente foram vítimas da onda de seqüestros e execuções que xiitas e sunitas têm lançado uns contra os outros. Pelo menos 21 pessoas foram seqüestradas em Kanaan, na Província de Diyala, norte de Bagdá. Um carro-bomba explodiu em um mercado lotado em Haswa, uma pequena cidade 50 quilômetros ao sul de Bagdá, matando pelo menos 5 pessoas e ferindo 27. Três homens e uma mulher foram mortos por homens armados que atacaram o veículo em que viajavam em uma estrada de Basra, neste domingo.

Agencia Estado,

26 Novembro 2006 | 16h42

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