Premier iraquiano pede reconciliação de xiitas e sunitas

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, pediu hoje que os iraquianos se reconciliem com aqueles que colaboraram com o antigo regime de Saddam Hussein, dominado pelos sunitas. "Nós devemos nos reconciliar uns com os outros como iraquianos", disse o premier, durante um discurso numa conferência de reconciliação com a tribo xiita Bani Wail.Os comentários de Al-Maliki foram feitos ao mesmo tempo em que ele trabalha para a criação de conselhos tribais para recomendar governos locais. A criação desses conselhos tem encontrado forte oposição dos membros dos principais partidos políticos. Segundo eles, a medida tem como objetivo reforçar o status do líder xiita antes das eleições do ano que vem e também complica os esforços, apoiados pelos Estados Unidos, de reconciliação política. Grupos políticos xiitas tiveram grande participação nas eleições provinciais de janeiro, nas quais Al-Maliki e seus aliados xiitas conquistaram grandes vitórias e, mais importante, não tiveram os resultados contestados. Ainda assim, trata-se de um frágil entendimento no Iraque após anos de amargos confrontos sectários entre xiitas e sunitas, que quase levaram o país a uma guerra civil. Muitos xiitas sofreram sob o governo de Saddam e ofendem-se com tentativas de reconciliação. Muitos sunitas continuam desconfiados de um governo dominado por xiitas. "Estas conferências eram algo estranho para nós antes", disse Al-Maliki durante a conferência de hoje, em Bagdá. "Mas elas têm resultados frutíferos."Ele disse que as conferências são a base da reconstrução do país e de suas leis, acrescentando que os conselhos tribais vão ajudar as tribos a serem parceiras do governo iraquiano. "Não é fanatismo ver alguém que apoia sua tribo. O fanatismo emerge particularmente quando alguém prefere os atos errados de sua tribo aos atos corretos de outras", afirmou Al-Maliki. InsurgentesSegundo ele, se os iraquianos construírem uma frente unida, isso pode deter os insurgentes e outros criminosos, incluindo aqueles que chegam ao Iraque do exterior. A violência no país caiu dramaticamente nos últimos 18 meses, embora as forças de segurança iraquianas sejam atacadas quase que diariamente. Hoje, uma bomba colocada à margem de uma rodovia explodiu perto de um posto policial em Mishahda, 30 quilômetros ao norte de Bagdá, matando dois policiais e ferindo outros três, informou um oficial da polícia iraquiana, em condição de anonimato. No norte do Iraque, uma bomba explodiu em Tikrit, matando duas pessoas que estavam num carro, disse outro policial. Ele contou que não está claro se o carro foi o alvo da bomba ou se estava transportando o artefato.

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