Premier iraquiano pede suspensão de construção de muro

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, disse no domingo que mandou suspender a construção polêmica de um muro que separaria a parte sunita da capital Bagdá de áreas xiitas vizinhas."Eu sou contra a construção do muro e ela vai parar. Existem outras formas de proteger bairros", disse al-Maliki durante uma entrevista coletiva concedida juntamente com o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, na capital egípcia, Cairo.A construção, que foi anunciada pelos Estados Unidos no sábado, foi criticada por líderes políticos iraquianos, que argumentaram que ela aumentaria as tensões sectárias.O Exército americano explicou que estava construindo o muro no bairro de Adhamiya, em Bagdá, para proteger a minoria sunita de ataques, mas a medida foi criticada por moradores da área e líderes sunitas, que disseram que ela isolaria a comunidade, além de ter um efeito negativo. ´Outros muros´Apesar de não ter entrado em detalhes, Al-Maliki afirmou temer que "este muro tenha repercussões que nos lembrem outros muros, o que nós rejeitamos", possivelmente se referindo a construções do gênero que dividiram comunidades no século 20, como os de Berlim e Beirute."Do ponto de vista árabe, na realidade, eu me opus a construir o muro e isto será suspenso. Mas, basicamente, a razão principal deste muro não é isolar e sim proteger, como uma medida de segurança", explicou al-Maliki."Eu pedi ontem (sábado) que a construção seja suspensa e que sejam encontradas alternativas para proteger a área."Apoio árabeAntes do encontro com o secretário-geral da Liga Árabe, na noite de domingo, Al-Maliki se reuniu durante a manhã com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, na primeira etapa da viagem por quatro países árabes que o primeiro-ministro iraquiano realiza para pedir apoio ao governo do Iraque e seus esforços para reduzir a violência no país.Nas reuniões com Mubarak, realizadas no Palácio Presidencial no Cairo, os dois líderes também conversaram sobre a conferência internacional de dois dias marcada para o início de maio no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh.O evento, que é a seqüência de uma conferência realizada em Bagdá em março para discutir formas de diminuir a violência no Iraque, reunirá seus países vizinhos, além do Egito e do Bahrein, e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia.Depois do Egito, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki segue para o Kuwait e, em seguida, para os Emirados Árabes Unidos e Omã.

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