Premier iraquiano prefere que Bush mande armas

Mais do que novas tropas, os Estados Unidos deveriam enviar para o Iraque mais e melhores armas para as forças de segurança do país, afirmou o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, numa entrevista publicada nesta quinta-feira pelo diário italiano Corriere della Sera.Comentando o novo plano do presidente dos EUA, George W. Bush, para o Iraque, al-Maliki disse que a situação no Iraque não seria tão dramática caso os americanos tivessem agido com maior rapidez."A situação seria muito melhor se os Estados Unidos tivessem enviado imediatamente para nossas forças de segurança armas e equipamentos mais adequados. Se eles tivessem se comprometido mais e com maior velocidade, teríamos muito menos mortes entre civis iraquianos e entre soldados americanos", avaliou.Entretanto, o premier não chegou a criticar abertamente o plano de Bush de enviar mais 21,5 mil soldados americanos para unirem-se aos 130 mil já presentes no país árabe."Temos de ver como a situação em campo vai se desenrolar", disse. "Não podemos descartar que a situação irá melhorar dramaticamente, permitindo que as tropas dos EUA deixem o país em grande número em três ou seis meses".Militares dos EUA têm relutado em enviar armas para as forças de segurança iraquianas por temores de que elas caíam nas mãos de milicianos e insurgentes.Al-Maliki fez duras críticas ao governo dos EUA durante a entrevista, tendo dito, segundo o Corriere, que Bush curvou-se à pressão interna quando criticou o enforcamento do ex-líder Saddam Hussein."Parece-me que Bush está capitulando sob o peso da pressão interna, ele está esmagado pela mídia e pelos políticos. Talvez ele tenha perdido o controle da situação", opinou.Na terça-feira, Bush afirmou que a execução de Saddam pareceu "um tipo de assassinato revanchista", que mostrava que o governo de al-Maliki "ainda tem de amadurecer".

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