Premier japonês anuncia que vai renunciar

Com o índice de popularidade despencando (apoio de apenas 6% dos japoneses) e sob pressão dos próprios colegas do Partido Liberal Democrático (PDL), o primeiro-ministro do Japão, Yoshiro Mori, anunciou neste sábado que vai renunciar, possivelmente no início de abril. Dessa forma, ele mantém os encontros que terá com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A Casa Branca confirmou a presença de Mori em Washington em comunicado. Destaca que a condição política do líder de uma nação não representa impedimento. "O primeiro-ministro Mori será recebido (por Bush) por ser a visita parte das relações diplomáticas", conclui o documento. O Kremlin não fez comentários.Caos Mori anunciou a decisão durante reunião da comissão executiva do PLD. Segundo assessores, ao deixar o cargo, ele vai assumir a responsabilidade pela grave situação econômica do país e também pelo caos que caracteriza hoje o cenário político japonês. A renúncia dele implica também que deixará a presidência do PLD. Portanto, as eleições para a presidência da agremiação, previstas para setembro, terão de ser antecipadas - com possível realização em abril.Crise econômica e escândalos A grave crise econômica, que provocou queda de 38% do índice Nikei da Bolsa de Valores de Tóquio nos primeiros dois meses do ano, e sucessivos escândalos de corrupção são os indicadores negativos que mais pesaram na decisão de Mori. Um de seus mais próximos colaboradores na Dieta (Parlamento japonês) e responsável direto por sua indicação para primeiro-ministro foi preso recentemente, acusado de suborno.Atitudes "desastrosas" Além disso, o primeiro-ministro japonês tem sido muito censurado por declarações e atitudes apontadas como "verdadeiros desastres". Antes de assumir a chefia do governo (ainda como parlamentar), Mori visitou o mausoléu dos generais do antigo Exército imperial, causando preocupação nos meios diplomáticos. Já como chefe do governo fez declarações sobre o envolvimento japonês na 2ª Guerra que provocaram indignação na Ásia."Não sou mergulhador..." Recentemente, chocou seus próprios patrícios com uma reação de total indiferença diante do afundamento acidental de um navio escola de pesca japonês no litoral do Havai, em 9 de fevereiro, por um submarino americano. Mori foi informado da tragédia (que causou a morte de nove jovens estudantes) num campo de golfe e continuou jogando - não sem antes demonstrar irritação por ter sido importunado. "O que posso fazer, não sou mergulhador...", teria dito, segundo a imprensa local. Mori sobreviveu a uma moção de censura na última segunda-feira. Mas os partidos que, ao lado do PLD, apoiaram seu governo, como o Komeito e o Conservador, deixaram claro que não estavam de acordo com a permanência dele na chefia do governo. O PLD é a maior agremiação da Dieta e deve indicar o sucessor de Mori. Vários nomes já despontam nos círculos políticos como virtuais primeiros-ministros: Ryutaro Hashimoto, ex-chefe de governo e atual ministro da Reforma administrativa; Junichiro Koizumi, líder da ala de Mori no PLD; e Hiromu Nonaka, antigo ex-secretário-geral do PLD. Forte candidato, Nonaka disse que não aceitará sua indicação.

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