Premier palestino acusa EUA de minarem esforços para formação de governo de união

O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ismail Haniye, acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de minarem os esforços para a formação de um governo de unidade nacional e pediu à Europa que assuma a dianteira da suspensão dos boicotes internacionais impostos aos palestinos.A declaração de Haniye veio à tona apenas um dia depois de a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, ter afirmado que o governo de unidade nacional proposto pelos palestinos deve ser contra a violência, reconhecer o Estado de Israel e concordar em respeitar acordos de paz previamente assinados entre israelenses e palestinos."O governo americano não quer a união dos palestinos. Ele impõe obstáculos ao longo do caminho dessa unificação política", denunciou Haniye sem entrar em detalhes. "Ele quer extorquir o povo e o governo palestinos", prosseguiu.Haniye pertence ao grupo islâmico Hamas, partido vencedor das eleições gerais de janeiro nos territórios palestinos. No início da semana, o Hamas e a facção moderada de oposição Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, chegaram a um acordo de partilha de poder que prevê o reconhecimento implícito de Israel.Em declarações feitas em Washington após um encontro com a ministra do Exterior israelense, Rice insistiu que qualquer governo palestino deve concordar com as exigências feitas pelo Quarteto, formado por EUA, União Européia (UE), Organização das Nações Unidas (ONU) e Rússia.EuropaEnquanto isso, diplomatas europeus em visita à Cisjordânia comentaram que a formação de um governo de unidade nacional com integrantes do Hamas e da Fatah poderia levar à restauração da ajuda internacional, suspensa depois da vitória eleitoral do grupo islâmico radical.Philippe Douste-Blazy, ministro das Relações Exteriores da França, disse depois de uma reunião com Abbas na Cisjordânia que a formação do novo governo poderia resultar na retomada da ajuda, como esperam os palestinos."Se o novo governo aceitar as exigências, a comunidade internacional deveria reavaliar e mudar sua posição referente aos contatos políticos e à ajuda", declarou.Haniye, enquanto isso, pediu à Europa que rompa com os Estados Unidos. "Nós esperamos que a comunidade internacional, e especialmente a União Européia, seja mais equilibrada e justa nos contatos com os palestinos", disse.Em Bruxelas, porém, diplomatas não previam nenhuma mudança nas políticas da UE enquanto não for empossado o novo governo palestino.

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