Premier palestino critica ajuda do Quarteto de Madri

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, recebeu com reservas a decisão do Quarteto de Madri de transferir fundos para pagar os salários dos 165 mil funcionários públicos na Cisjordânia e em Gaza. Haniyeh disse que os Estados Unidos, a União Européia, a Rússia e a ONU, membros do Quarteto, querem impor suas exigências. Entre elas, a de reconhecer a legitimidade do Estado de Israel.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e os chefes de Relações Exteriores dos outros três integrantes se reuniram na terça-feira em Nova York. Eles resolveram criar um "mecanismo financeiro temporário" para transferir fundos, que não serão administrados pelo governo de Haniyeh, e sim pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, seu rival político.O Quarteto, disse Haniyeh a um grupo de jornalistas, impõe condições ao seu governo "para impor concessões que afetarão o povo palestino e darão legitimidade à ocupação israelense". As outras duas condições são o desarmamento das Brigadas de Izz al-Din al-Qassam, o braço armado do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), partido de Haniyeh, e a adesão aos acordos assinados pela ANP com Israel.Catástrofe humanitáriaO porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Mark Reguev, disse que, por enquanto, não havia o que comentar. O ex-ministro da ANP e atual chefe de negociações com Israel da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, também achou que a decisão adotada pelo Quarteto foi limitada."Nós esperávamos a imediata retomada da ajuda ao povo palestino, pois a suspensão das transferências está levando a uma catástrofe humanitária", disse Erekat, dirigente da cúpula do Fatah, partido presidido por Abbas.Os funcionários do governo palestino e de seus órgãos de segurança ainda não receberam os salários de março e abril. A folha de pagamento está em torno de US$ 120 milhões mensais.O governo americano, segundo fontes de Washington, se opõe à transferência dos salários para as contas bancárias dos funcionários, uma das opções para impedir que o dinheiro chegue ao governo do Hamas, organização considerada terrorista.

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