Premier palestino critica política de segurança de Abbas

O novo primeiro-ministro palestino Ismail Haniye rejeitou os esforços do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas de diminuir a autoridade do gabinete do Hamas garantindo a pessoas fiéis a ele novos poderes sobre as forças de segurança. A disputa sobre os serviços de seguranças, aliada à insistência de Abbas em continuar no comando da política externa palestina, foi a última indicação de uma luta de poder entre o presidente moderado e o governo do Hamas, que assumiu na semana passada. "Existem tentativas de criar estruturas paralelas para ministérios no governo palestino", disse Haniye em entrevista à agência de notícias Associated Press, na cidade de Gaza. "Mas eu não acredito que (Abbas) possa continuar essa pressão e diminuir algumas das autoridades deste governo", acrescentou. Abbas, que apóia negociações de paz com Israel, está acumulando mais poder para suprimir os novos líderes do Hamas. O grupo radical provocou ameaças de corte de ajuda internacional rejeitando o direito de existência de Israel e a renúncia da violência. Luta pelo poder Haniye disse que Abbas havia assegurado que as forças de segurança continuariam sob o controle do gabinete liderado pelo Hamas, que, segundo ele, não assumiu o poder "por meio de tanques", mas de "eleições transparentes e justas". Contudo, horas depois Abbas apontou um antigo aliado, Rashid Abu Shbak, como líder de três serviços de segurança que deveriam ser controlados pelo Hamas. Estão claras as dificuldades que o Hamas vem enfrentando para assumir o controle das forças de segurança, que estão repletas de membros fiéis à Fatah, partido de Abbas. Um membro das forças de segurança preventivas, Ahmed Abou Sayah, responsável pela ruptura do Hamas em 1996, disse que não aceitaria um líder do grupo radical. "Nos os odiamos e eles nos odeiam", afirmou. Contudo, um policial da Cidade de Nablus, na Cisjordânia, Mohammed Barham, avisou que aceitaria ordens de quem estivesse no comando. "Eu pertenço à Fatah e trabalho para a polícia palestina. Pela lei, o ministro do interior é o chefe e isto é aceitável para mim." Ainda na quinta-feira, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) ordenou que o Ministério do Exterior controlado pelo Hamas coordene com ela antes de fazer pronunciamentos importantes sobre as políticas diplomáticas. A OLP é tecnicamente a responsável pelos assuntos externos palestinos. Haniye disse que Abbas, "como o chefe da Autoridade Palestina e da OLP, pode se movimentar em frentes políticas e negociar com quem quiser. O que importa é o que será oferecido ao povo palestino". O comentário parece abrir as portas para que o presidente da AP negocie com Israel. Segundo o analista político Khalil Shahi, as ações de Abbas fazem parte de um esforço para evitar sanções do Ocidente sobre a Autoridade Palestina. "Eu prevejo que ele continuará tirando mais autoridade do Hamas, particularmente em ministérios financeiros e outros órgãos responsáveis por estrutura e segurança". As medidas que consolidam o poder de Abbas, conhecido pelo apelido de Abu Mazen, são uma reversão das reformas realizadas durante o governo de Yasser Arafat, que transferiram muitos dos poderes do presidente para o gabinete. "Estamos nos movendo de um regime misto parlamentar e presidencial, para um regime similar ao da era Arafat", afirmou Shahin. "O problema aparecerá depois da era Abu Mazen. Teremos medo de ter um outro presidente que seja um ditador". Israel Ainda na quinta-feira, o presidente de Israel Moshe Katsav autorizou o primeiro-ministro Ehud Olmert a formar o novo governo na semana que vem. Olmert disse que formará rapidamente uma coalizão comprometida a realizar seu plano de retirada da Cisjordânia. Haniye denunciou os planos de Israel de, unilateralmente, determinar o futuro das fronteiras com os palestinos caso as negociações não dêem resultados. Segundo o líder palestino, não houve mudanças na postura do Hamas em não reconhecer Israel, renunciar à violência e respeitar os acordos anteriores assinados pela Autoridade Palestina. As três condições foram impostas pelos Estados Unidos e Israel para lidar com o Hamas. Ao mesmo tempo, ele apresentou um tom conciliatório ao falar dos Estados Unidos, dizendo que "não quer que sentimentos de animosidade permaneçam na região, não em relação aos Estados Unidos e ao Ocidente". O líder do Hamas disse que seu governo pode superar a crise Financiera apelando a doadores árabes e muçulmanos.

Agencia Estado,

06 Abril 2006 | 15h04

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