Premier somali pede o envio de tropas de paz ao país

O primeiro-ministro interino da Somália pediu à ONU um cancelamento temporário do embargo armamentista imposto ao país para que forças pacificadoras da União Africana possam ser enviadas à região. Segundo Ali Mohamed Gedi, a medida é necessária para impedir o avanço dos radicais islâmicos que controlam a maior parte do país.Em entrevista concedida a partir do vizinho Quênia, Gedi disse que o movimento islâmico que conquistou Mogadiscio, a capital da Somália, e outras porções do sul do país nos últimos meses é dominado por terroristas da Al-Qaeda. "Uma intervenção não ajudará se acontecer muito tarde. O melhor é atuar o mais rápido possível para barrar a expansão e a disseminação do terrorismo na região, no continente e no mundo", disse o premier. Estava previsto para esta segunda-feira uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir um cancelamento parcial do embargo armamentista imposto ao país em 1992. A União Africana endossou um plano proposto por países do leste africano para o envio de forças de paz para proteger o frágil regime somali, reconhecido internacionalmente."Se houver boa vontade na ONU e na comunidade internacional para salvar o povo da Somália e da região como um todo, a expectativa é que o embargo seja levantado", disse o premier.Desde abril, o grupo conhecido como Conselho das Cortes Islâmicas vem derrotando os senhores da guerra que dividiram o país em clans após um golpe contra o governo somali em 1992. As cortes conseguiram unificar boa parte do sul do país, prometendo a paz sob a lei islâmica.Gedi, que está a frente de um governo interino apoiado pela ONU, endossa os argumentos americanos de que as Cortes Islâmicas têm relação com terroristas da Al-Qaeda.As cortes e o governo interino chegaram a assinar um acordo de cessar-fogo, mas os grupos islâmicos continuaram a avançar pelo país. No último domingo, foi a vez da cidade portuária de Kismayo ser tomada pelos radicais. A investida gerou fortes protestos entre a população, que foi reprimida violentamente pelos militantes.

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