Premier tailandês acusa ex-políticos por ataques a bombas

O governo militar da Tailândia acusou ex-políticos nesta segunda-feira, 1º, pela série de bombas que matou três pessoas em Bangcoc, feriu 38, incluindo nove estrangeiros, e arruinou a festa de ano-novo.O primeiro-ministro, Surayud Chulanont, disse que informações de inteligência apontam para políticos que perderam o poder, e não para militantes muçulmanos que travam uma insurgência separatista no sul, apesar das similaridades de estilo."Neste estágio não podemos apontar qual grupo particular esteve envolvido", disse o primeiro-ministro Chulanont, colocado no cargo depois do golpe branco em 19 de setembro para derrubar Thaksin Shinawatra, cujos simpatizantes podem estar envolvidos, segundo o novo premiê."Informações de várias agências de inteligência, com base nas evidências disponíveis, mostram que vêm de grupos que perderam poderes políticos", disse Surayud em coletiva de imprensa, no momento em que policiais e soldados montam uma grande operação de segurança."Não são apenas do governo anterior, mas incluem todos aqueles que perderam o poder no passado", disse, mas recusou-se a dizer quais evidências o governo tem.O advogado de Thaksin afirmou que as implicações são uma "campanha suja". A Austrália disse temer mais ataques e uniu-se aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha no pedido para seus cidadãos não saírem às ruas na Tailândia. "Há possibilidade de mais ataques nos próximos dias", disse a embaixada australiana em seu site.O envolvimento de muçulmanos, que fazem uma insurgência que custou mais de 1.800 vidas nos últimos três anos, mas que continuam confinados ao sul, é uma "possibilidade muito remota", disse Surayud.O analista de segurança Panitan Wattanayagorn concordou, dizendo que as explosões parecem ter motivação política, talvez por parte de quem enfrenta investigações de corrupção conduzidas pelo governo pós-golpe."Seu objetivo pode ser desestabilizar o governo para garantir que as acusações contra eles sejam retiradas, ou negociadas", afirmou o professor da Universidade Chulalongkorn. Ataque inéditoDesde que Thaksin, vencedor de duas eleições com ampla maioria, foi afastado e seu governo investigado, diversas escolas foram incendiadas nos arredores de Bangcoc e a lei marcial continua em vigência em muitas áreas.Mas líderes do Partido Thai Rak Thai (Tailandeses Amam Tailandeses), do bilionário Thaksin, negaram envolvimento em qualquer forma de resistência violenta ao golpe. Acredita-se que o ex-premiê esteja na China.O advogado de Thaksin, Noppadon Pattama, disse que o ex-líder foi vítima de "acusações sem base, de uma campanha de difamação".Policiais e soldados montaram 6.000 postos de controle na cidade de 9 milhões de habitantes depois do ataque, descrito pelo vice-comandante da polícia nacional, o general Achiravit Supanpasat, como o pior de Bangcoc em seus 40 anos de carreira.

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