Premier tailandês não vai a Palácio para evitar protesto

O primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, não foi ao Palácio do Governo hoje, quando milhares de manifestantes cercaram o prédio do governo para pedir sua deposição pelo quinto dia seguido, ignorando as advertências da polícia para que se dispersem. Os manifestantes, aliados do líder deposto Thaksin Shinawatra, dizem que o governo do primeiro-ministro chegou ao poder por meio de meios ilegais e deveria se demitir. Abhisit rejeitou os pedidos.

AE-AP, Agencia Estado

30 de março de 2009 | 17h25

Do lado de fora do Palácio do Governo, a polícia gritava nos alto-falantes: "Se vocês não se dispersarem, usaremos medidas de controle que podem ser brandas, mas também podem ser duras". Mas os avisos parecem ter apenas encorajado os manifestantes reunidos sob o calor do meio-dia. "Preparem-se para possíveis medidas policiais", disse o líder do protesto, Nattawut Sai-kua, para a multidão, lembrando a eles para carregarem toalhas molhadas e água limpa para se protegerem se a polícia usar gás lacrimogêneo.

"Mas vocês não têm o que temer. Milhares de pessoas se unirão a nós se a polícia usar violência". Os líderes da manifestação pediram que os taxistas de Bagcoc, muitos dos quais vieram das áreas rurais que compõem a base de Thaksin, para estacionar seus veículos nas congestionadas ruas das capital e, dessa forma, paralisar o tráfego se as autoridades tentarem dispersar a multidão.

Os protestos, que começaram na quinta-feira, são o último episódio da tumultuada vida política tailandesa. No ano passado, manifestações de rua realizadas por oponentes políticos de Thaksin, sitiaram o Palácio do Governo por três meses e fecharam os dois principais aeroportos de Bangcoc por uma semana. Seu objetivo era retirar os aliados de Thaksin do governo e encerraram os protestos apenas depois que dois primeiros-ministros foram retirados do poder pelo judiciário.

Províncias

O movimento pró-Thaksin parece ter ganhado expressão fora da capital nesta segunda-feira. Centenas de milhares de pessoas fizeram manifestações em pelo menos dez províncias do norte e nordeste da Tailândia, que ainda permanecem como reduto do ex-primeiro-ministro. Aparentemente, eles responderam às chamadas de Thaksin, feita durante o final de semana, para a realização de protestos em todo o país. Thaksin, que foi deposto num golpe em 2006, está no exílio, mas vem se dirigindo aos manifestantes de Bangcoc por meio de videoconferência.

Abhisit disse na semana passada que adentraria o Palácio do Governo na segunda-feira. Mas ele mudou de ideia, dizendo que a situação continua fora de controle e ele não deve ir a seu escritório antes de viajar para Londres, amanhã, para a cúpula do Grupo dos 20 (G-20), onde ele representará os países do sudeste da Ásia.

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